Estão em nosso universo

2º Ano do Ensino Médio


NÃO PERCAM! DOMINGO NO INTERVALO DO FANTÁSTICO!
ESSE FECHAMENTO É PARA AQUELAS PESSOAS DO 2º QUE NÃO PRESTAM ATENÇÃO NAS AULAS, DORMEM, CONVERSAM, ENFIM, PARA AQUELES QUE ESTÃO COM UMA VONTADE DE PARTIR PARA O TERCEIRÃO EM 2015! VAMOS QUE VAMOS!
LEIAM, MEMORIZEM, ESTUDEM, GRAVEM, DECOREM!
QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ! PEQUENO GAFANHOTO.

COR
COR LUZ = LUZ SOLAR = SISTEMA RGB
SISTEMA ADITIVO E SECUNDÁRIAS FORMAM AS 3 PRIMÁRIAS DA COR PIGMENTO.
COR PIGMENTO = COR DE IMPRESSÃO QUADRICROMIA (CMYK)
É REFLETIDA PELO MATERIAL
SUBSTANCIAS: NATURAIS E SINTÉTICAS
SISTEMA SUBTRATIVO
COR COMPLEMENTAR = COR NEGATIVA QUE CAUSA O VERDADEIRO CONTRASTE
MATIZ = CARACTERÍSTICA QUE DEFINE E DISTINGUE UMA COR DA – É A COR EM SUA INTENSIDADE MÁXIMA.
TOM = ESCALA TONAL = ADIÇÃO DE PRETO OU BRANCO À COR
INTENSIDADE DIZ RESPEITO À SATURAÇÃO: VERMELHO VIVO = ALTA INTENSIDADE
VERDE BEBE = INTENSIDADE BAIXA OU PASTEL.
PRETO = AUSÊNCIA DE LUZ
BRANCO = ADIÇÃO DE TODAS AS CORES NA MESMA QUANTIDADE SISTEMA ADITIVO = RGB
RENASCIMENTO CULTURAL
RENASCIMENTO FECHAMENTO
MECENAS = BURGUESES E GOVERNANTES  QUE PROTEGEM E AJUDAM FINANCEIRAMENTE OS ARTISTAS DA ÉPOCA.
ANTROPOCÊNTRICO SE CONTRAPÕE AO TEOCÊNTRICO
ANTROPOCÊNTRICO = HUMANISMO = BASE TEÓRICA E FILOSÓFICA DO MOVIMENTO RENASCENTISTA = ERA DA RAZÃO = RACIONALIZA ATRAVÉS DO PENSAMENTO, INVESTIGA FENÔMENOS NATURAIS SOCIAIS, CULTURAIS E MÍTICOS
CLASSICISMO = IDEAL DE BELEZA E HARMONIA
TINTA À ÓLEO E TELA + DESENVOLVIMENTO DA CALCOGRAVURA = TORNA O ARTISTA AUTÔNOMO (AUTOR), LOGO, INICIA O VALOR FINANCEIRO DA OBRA DE ARTE = INDIVIDUALISMO + VALORIZAÇÃO DA LIBERDADE DO SER HUMANO DE FAZER ESCOLHAS.
ARTISTAS E OBRAS
NÃO SE ESQUEÇAM DAS 4 TARTARUGAS NINJAS E MAIS ESSES:
FRA ANGELICO = O JUIZO UNIVERSAL
HIERONYMUS BOSCH = JARDIM DAS DELICIAS
BOTTICELLI = PRIMAVERA
RAFAEL = A ESCOLA DE ATENAS
MASACCIO = ADÃO E EVA EXPULSOS DO PARAISO
ARQUITETURA – FILIPO BRUNELLESCHI (1377 – 1446)
ARQUITETURA = BASEADA EM CÁLCULOS MATEMÁTICOS E USO DA GEOMETRIA EUCLIDIANA TEM COMO BASE (PROJETO) O QUADRADO E A PERSPECTIVA PARA OBTER HARMONIA.
CARACTERÍSTICAS: ORDENS ARQUITETÔNICAS = DÓRICA, CORÍNTIA E JÔNICA, ARCOS DE VOLTA PERFEITA E SIMPLICIDADE NA CONSTRUÇÃO.
BARROCO NA EUROPA
BARROCO = INSTRUMENTO DE REAÇÃO E PROPAGANDA CATÓLICA FRENTE AO PROTESTANTISMO
TEMÁTICA BARROCA = REFORÇAM O FERVOR EO MEDO IMPOSTOS PELA RELIGIÃO DO PERÍODO MEDIEVAL (BARROCO CATÓLICO), OU SEJA, VALORIZAÇÃO DO SAGRADO E NEGAÇÃO DO PROFANO – LEMBRE-SE QUE ESSA MENSAGEM FOI EXPLORADA PELA IGREJA CATÓLICA EM SUAS IMAGENS.
SEGUE ABAIXO ARTISTAS BARROCOS E SUAS CARACTERÍSTICAS:
TINTORETTO: O CORPO DAS FIGURAS É MAIS EXPRESSIVO QUE O ROSTO, E A LUZ TEM GRANDE INTENSIDADE.
CARAVAGGIO: A BELEZA NÃO É PRIVILEGIO DA ARISTOCRACIA – ELE PROCURAVA SEUS MODELOS ENTRE OS VENDEDORES, OS MÚSICOS AMBULANTES, ENFIM, ENTRE AS PESSOAS DO POVO – O QUE MAIS CARACTERIZA SUA PINTURA E O MODO REVOLUCIONARIO COMO ELE USA A LUZ. ELA NÃO APARECE COMO REFLEXO DA LUZ SOLAR, MAS É CRIADA INTENCIONALMENTE PELO ARTISTA PARA DIRIGIR A ATENÇÃO DO OBSERVADOR. ISSO FOI TÃO FUNDAMENTAL EM SUA OBRA QUE ELE É CONHECIDO COMO FUNDADOR DO ESTILO DENOMINADO “LUMINISTA”.
REMBRANDT: A EMOÇÃO POR MEIO DA GRADAÇÃO DA CLARIDADE – O QUE DIRIGE NOSSA ATENÇÃO EM SEUS QUADROS NÃO É PROPRIAMENTE O CONTRASTE ENTRE LUZ E SOMBRA, MAS A GRADAÇÃO DA CLARIDADE, OS MEIOS-TONS, AS PENUMBRAS QUE ENVOLVEM ÁREAS DE LUMINOSIDADE MAIS INTENSA.
EL GRECO: A VERTICALIDADE DA PINTURA
LINGUAGEM VISUAL - A LINHA – GERA: ALEGRIA, ANIMAÇÃO, DESCANSO, PAZ, FIRMEZA, ESTABILIDADE, VIDA, FORÇA, MOVIMENTO, INSTABILIDADE, SUAVIDADE, LEVEZA, NERVOSISMO, IRRITAÇÃO, MAS, TAMBÉM PODE TRANSMITIR DIVERSAS SENSAÇÕES E EMOÇÕES VIVIDAS PELO INDIVÍDUO.
A LINHA TAMBÉM PODE CUMPRIR DIFERENTES PAPEIS EM UMA COMPOSIÇÃO:
ESTRUTURAL = PARTE FUNDAMENTAL DE UMA COMPOSIÇÃO.
ORNAMENTAL = FUNÇÃO ESTÉTICA – ATUA COMO COMPLEMENTO, DE CERTO MODO, DISPENSÁVEL.
EXPRESSIVO = COMO ELEMENTO FUNDAMENTAL PARA TRANSMISSÃO DA MENSAGEM ARTÍSTICA.
NÃO PODEMOS ESQUECER OS QUATRO ELEMENTOS BÁSICOS = QUADRADO, CÍRCULO E TRIÂNGULO EQUILÁTERO.
LEMBRE-SE QUE A LINGUAGEM VISUAL = HARMONIA, RITMO, ORDEM, NEGATIVO, POSITIVO, EQUILÍBRIO, ESTABILIDADE, FORÇA.
PEQUENAS OBSERVAÇÕES:
O Barroco procura solucionar os dilemas de um homem que perdeu sua confiança ilimitada na razão e na harmonia, através da volta a uma intensa religiosidade medieval e da eliminação dos conceitos renascentistas de vida e arte. Em parte, isso não é atingido e as contradições prosseguiriam.
Estética é um ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como: as diferentes formas de arte e da técnica artística; a idéia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se do sublime, ou da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.
Especialmente com Platão e Aristóteles - a estética era estudada fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais.









Atividade prática 1

Galera do 2º!

Cada um deverá criar e produzir um cartaz publicitário de um produto inovador (real ou fictício).
Não se esqueçam da aula sobre linguagem visual.

Data para entrega:  
10/03/14 turmas: 2G E 2A;
11/03/14 turmas: 2H, 2F E 2E;
13/03/14 turmas: 2C, 2D E 2B.

Não se esqueça do prazo!




É isso aí! Vamos para mais uma semana de aula e esse é nosso tema!

Renascimento e Shakespeare 
Semana de 17 à 21/02/2014

Realizar em seus cadernos o registro pessoal (mapa conceitual) conforme orientações anteriores, destacando obrigatoriamente duvidas ou entendimento sobre o que foi lido no texto/aula abaixo, o professor deverá então ouvir da turma suas duvidas ou entendimentos e a partir disso deverá contextualizar o Renascimento e o teatro de Shakespeare. Após o debate e a construção do conceito, suas características, estudo dos artistas e obras envolvidas os discentes irão responder a perguntas elaboradas pelo professor sobre o assunto da aula.

A Arte Renascentista na Itália

* Desenvolveu-se entre 1300  a 1650.
* Cansados da submissão das artes e do pensamento aos dogmas da Igreja Católica. Nasce a arte renascentista, uma revolução: nova forma de entender o mundo, o ser humano e a natureza.
* Reviver  da cultura grega e romana - influenciou as artes, a literatura, a ciência e a filosofia.
* Marca o fim da Idade Média e o Início da Idade Moderna.
* Fator importante: o papel dos mecenas (papas, cardeais, príncipes ou ricos mercadores) que, movidos pela ambição, pela busca de popularidade e poder, passaram a contratar os serviços dos artistas e se tornaram os grandes patrocinadores das obras de arte de vários artistas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e outros.

Características:

*  Racionalidade (tudo é explicado e comprovado através da ciência);
* Dignidade do ser humano (o ser humano passou a ser representado levando em conta suas emoções);
* Rigor científico (uso da proporção, da perspectiva, do claro-escuro);
* Ideal humanista (o homem e a natureza eram o centro das preocupações);
* Reutilização das artes grega e romana (ideal de beleza e harmonia).

Principais fundamentos:

* Classicismo - ideal de beleza e harmonia.
* Hedonismo - valorização do corpo, dos prazeres terrenos e espirituais, no culto do belo e perfeito.
*Naturalismo - valorização do retrato fiel a realidade.
* Racionalismo - busca da verdade por meio da investigação através da ciência.
* Individualismo - valorização da liberdade do ser humano de fazer escolhas.
* Humanismo/ Antropocentrismo - colocava o homem e a natureza como o centro das preocupações e interesses - em oposição ao divino e ao sobrenatural (teocentrismo), conceitos que predominam na Idade Média.

Arquitetura
Tudo é baseado em cálculos matemáticos. Uso da geometria euclidiana, que usava como base da planta (projeto) o quadrado e a perspectiva como forma de se obter harmonia nas construções, de tal forma, que de qualquer ponto que se coloque, possa compreender o funcionamento dessas relações.

Características:

* Ordens arquitetônicas (colunas gregas: dórica, jônica e coríntia);
* Arcos de volta-perfeita;
* Simplicidade na construção;
* A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura, passando a ser autônomas.
* Construções de palácios, igrejas, vilas, etc.

Arquiteto:
Fillipo Brunelleschi (1377-1446),  além de arquiteto, foi pintor, escultor.
* Principais obras: 
_ Catedral de Santa Maria Del Fiore, Florença - Itália.
_ Capela Pazzi, Florença - Itália.


Catedral de Santa Maria Del Fiori, Florença, Itália.
A construção da cúpula foi projetada pelo arquiteto Fillipo Brunelleschi.



Capela Pazzi (1429-1443). Florença, Itália. Projetada por Fillipo Brunelleschi.

Vista interna da Capela Pazzi.


Pintura

Interpretação científica do mundo. Com a utilização da proporção e da perspectiva, os artista conseguiram reproduzir o espaço sobre uma superfície plana, dando a ideia de profundidade e volume. 
Com a nova técnica, pintura a óleo, possibilitou as gradações de cores, variação das cores: quentes e frias.
Efeito do claro-escuro, luz e sombra com o objetivo de destacar elementos mais importantes e escurecer os elementos considerados secundários, permitindo criar distâncias e volumes.

Características:

*Perspectiva, proporção;
* Uso do claro-escuro, luz e sombra;
* Realismo;
* Uso da tinta a óleo e da tela;
* Artistas com estilo pessoal.

A Arte Renascentista dividi-se em três períodos:

*Trecento - século XIV (1300 a 1399). Considerado como pré-renascimento, pois os artistas ainda guardavam características medievais.

Artista:

*Giotto di Bondone - (1267-1337), provocou uma revolução na pintura. Foi um dos primeiros a dar ilusão do real, no que diz respeito a emoção e espaço em uma superfície plana.

Obra: "A Lamentação", 1300, considerada uma das maiores obras do mundo.

"A Lamentação" de Giotto di Bondone. Afresco, parede da Capela Degli Scrovegni, em Pádua. Dim. 230 X 300 cm.

Leitura das imagens da obra "A Lamentação"

* O tema dessa obra é religioso, em que homens e mulheres lamentam a morte de Cristo, enquanto anjos esperam sua chegada no céu.
* A obra possui movimento, o qual podemos comprovar pela linha curva (conseguida se traçarmos uma linha acompanhando as cabeças).
*As cores: azul , as gradações de cores e o contraste entre o vermelho e o verde (cores complementares) , usado para acentuar as outras cores, aumentando  a emoção desse acontecimento. A cor vermelha nesse contexto dá ideia de força, de irracionalidade, de ação.
O pesar de Maria, debruçada sobre o corpo de Cristo, é reforçado além das cores, pelos gestos emocionados e expressões sofridas das figuras . 

* A composição é equilibrada e divide a obra através de uma linha diagonal, em dois planos: 1º plano ( composto pelas figuras de Cristo, Maria, santos e outros e o 2º plano separado pelo muro (composto pelas figuras dos anjos no céu).

* Quatrocento - século XV (1400-1499). Período de aperfeiçoamento das técnicas. Os pintores passaram a fazer uso da geometria utilizando a perspectiva, recurso que lhes permitiam reproduzir na tela cenas tridimensionais. Uso da tinta a óleo e a tela como suporte.

Artistas:

*Masaccio - (1401-1428). Foi o primeiro artista do século XV a conceber a pintura como imitação fiel do real, como reprodução das coisas como elas são. O seu realismo é tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de convencer o observador a respeito da realidade da cena retratada,  como se pode comprovar em seus quadros. Mas além disso, Masaccio, parece convidar o observador a também participar do que está representado na pintura. Podemos notar esses aspectos na obra "A Trindade".

*Obra: "A Trindade".

A Trindade, Masaccio, 1425. Dim. 670 X 315 cm, afresco. Igreja Santa Maria Novella, Florença.

"A Trindade", afresco encomendado para a Igreja de Santa Maria Novella, mostra seis imagens humanas. Ao centro, estão o Pai e o Filho, abaixo do grandioso mastro da Trindade, central e vertical, vemos os quatro atores não divinos do drama, que se desdobram simetricamente nas laterais. Apenas um deles, Maria, olha-nos direto da pintura. Do outro lado da cruz, contrabalançando a figura da Mãe de Jesus, está São João, igualmente sólido, ainda que não olhe para nós, e sim para Jesus.
Fechando a pintura, temos os doadores, grandes, de perfil, solidamente presentes na condição de nossos representantes. E bem na base, há uma sétima  personagem: o esqueleto, que representa todos os seres humanos.
Acima do esqueleto, na parede de pedra da tumba estreita que ele se encontra, lê-se a seguinte inscrição: "Fui outrora o que você é, e sou aquilo em que você transformará". Descreveu a sofisticada estrutura espacial da obra como "abóbada cilíndrica traçada em perspectiva e dividida em quadriláteros caixotões, que vão diminuindo e que parece haver um buraco na parede".

*Fra Angélico - (1387-1455), suas pinturas embora siga os princípios renascentistas da perspectiva e da correspondência entre luz e sombra, está impregnada de um sentido místico.
*Obra: "Anunciação".

Anunciação, 1437. Fra Angélico. Museu Nacional de S. Marcos, Florença.

Renascimento - Cinquecento


O alto Renascimento ou Cinquecento floresceu entre 1490 e 1527, ano em que Roma, que substituíra Florença como centro artístico, foi saqueada pelas tropas imperiais de Carlos V. O período contou com três figuras de primeira magnitude: Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. Cada um desses artistas personificou um aspecto peculiar desse momento: Da Vinci foi o arquétipo do homem renascentista, um gênio solitário que se interessou pelas facetas múltiplas do conhecimento; Michelangelo encarnou o poder criador e concebeu vários projetos inspirando-se no corpo humano como veículo essencial para a expressão de emoções e sentimentos; e Rafael exemplificou o espírito clássico da harmonia, da beleza e da serenidade. Ainda que tenha se iniciado como escultor, sua obra mais conhecida é o gigantesco afresco da abóbada da capela Sistina, na qual combinou a teologia cristã e a filosofia neoplatônica. Rafael, que na juventude sofreu a influência de Da Vinci e Michelangelo, distinguiu-se por sua preferência pela harmonia e clareza clássicas, características que podem ser apreciadas em uma de suas obras mais célebres, "Escola de Atenas". Nesse trabalho, uma fresco para o Vaticano, representou juntos, em conversa tranqüila, diversos filósofos, artistas e homens de ciência, tanto da antiguidade como seus contemporâneos, dispostos em um cenário colossal de características greco-latinas. O criador do Cinquecento arquitetônico foi Donato Bramante, que chegou a Roma em 1499. Sua primeira obra-prima foi o pequeno templo de são Pedro em Montorio, de planta centralizada, semelhante à dos templos circulares clássicos. O papa Júlio II escolheu Bramante para edificar a nova basílica de São Pedro, de gigantescas proporções, que deveria substituir a igreja paleocristã do século IV. O projeto só foi completado muito tempo depois da morte de Bramante e dele participaram artistas como Rafael e Michelangelo, que desenhou a enorme cúpula. Em Veneza, onde Antonello da Messina havia introduzido o óleo, técnica própria do norte da Europa.  Durante o século XV, sucedeu-se uma série de pintores brilhantes -- Giorgione, Ticiano, Tintoretto, Veronese -- com os quais chegou ao seu esplendor máximo a escola veneziana, cujas características são o colorido, a luz vaporosa, a sensualidade e os temas pagãos.

Teatro no Renascimento

Inglaterra de Shakespeare se destaca


Reprodução

Gravura do século 18 retrata William Shakespeare
Entenda como a Inglaterra se tornou palco de importantes produções teatrais durante o renascimento. Conheça o contexto histórico em que o teatro se desenvolveu no país, características e principais nomes.

Contexto histórico

O período elisabetano na Inglaterra é o que compreende o reinado da rainha Elizabeth I (1558-1603), considerado a era de ouro da história inglesa. É o auge do renascimento naquele país, com os maiores destaques para a literatura e a poesia.

No reinado da rainha Elizabeth I, a Inglaterra conseguiu assumir o posto de potência mundial, já que a Espanha, que mantinha o "cargo", estava em decadência. O comércio inglês se impôs e se expandiu pelo mundo, preparando as condições favoráveis à prosperidade econômica e ao progresso da burguesia.

Era um momento de rápida transformação em todos os setores da sociedade, o comércio marítimo influenciava a moda, o transporte (com o uso das carruagens), a arquitetura, os costumes, como, por exemplo, o uso de garfos (trazidos da Itália) e o tabaco (trazido da Índia e da América).

Esse foi o momento no qual o teatro elisabetano cresceu e autores como Shakespeare escreveram peças que rompiam com o estilo com o que a Inglaterra estava acostumada.

A reforma protestante e o humanismo introduziram novos elementos nas representações. Foi através de grupos de atores mambembes (como na "Commedia dell'Arte") que surgiu o profissionalismo teatral.

Elizabeth 1 deu proteção ao teatro da época, pois seu gosto pelos espetáculos populares conseguiu contrabalançar as tendências puritanas do reino. Bailados, mágicas, representações cênicas de todo tipo eram apresentadas por onde quer que a rainha fosse.

Shakespeare e seus gêneros

Os eruditos costumam anotar quatro períodos na carreira de dramaturgia de Shakespeare. Até meados de 1590, escreveu principalmente comédias, influenciado por modelos das peças romanas e italianas. O segundo período iniciou-se aproximadamente em 1595, com a tragédia Romeu e Julieta e terminou com A Tragédia de Júlio César, em 1599. Durante esse tempo, escreveu o que são consideradas suas grandes comédias e histórias. De 1600 a 1608, o que chamam de "período sombrio", Shakespeare escreveu suas mais prestigiadas tragédias: HamletRei Lear e Macbeth. E de aproximadamente 1608 a 1613, escrevera principalmente tragicomédias e romances.
Os primeiros trabalhos gravados de Shakespeare são Ricardo III' e as três partes de Henry V, escritas em 1590, adiantados durante uma moda para o drama histórico. É difícil datar as primeiras peças de Shakespeare, mas estudiosos de seus textos sugerem que A Megera DomadaA Comédia dos Erros e Titus Andronicus pertencem também ao seu primeiro período. Suas primeiras histórias parecem dramatizar os resultados destrutivos e fracos ou corruptos do Estado e têm sido interpretadas como uma justificação para as origens da dinastia Tudor. Suas composições foram influenciadas por obras de outros dramaturgos isabelinos, especialmente Thomas Kyd e Christopher Marlowe, pelas tradições do teatro medieval e pelas peças de SênecaA Comédia dos Erros também foi baseada em modelos clássicos.
As clássicas comédias de Shakespeare, contendo plots (centro da ação, o núcleo da história) duplos e sequências cênicas de comédia, cederam, em meados de 1590, para uma atmosfera romântica em que se encontram suas maiores comédias. Sonho de uma Noite de Verão é uma mistura de romance espirituoso, fantasia, e envolve também a baixa sociedade. A sagacidade das anotações de Muito Barulho por Nada', a excelente definição da área rural de Como Gostais, e as alegres sequências cênicas de Noite de Reis completam essa sequência de ótimas comédias. Após a peça lírica Ricardo II, escrito quase inteiramente em versículos, Shakespeare introduziu em prosa as histórias depois de 1590, incluindo Henry VI, parte I e II, e Henry V.
Seus personagens tornam-se cada vez mais complexos e alternam entre o cômico e o dramático ou o grave, ou o trágico, expandindo, dessa forma, suas próprias identidades. Esse período entre essas tais alternações começa e termina com duas tragédias: Romeu e Julieta, sem dúvida alguma sua peça mais famosa e a história sobre a adolescência, o amor e a morte; e Júlio César. O período chamado "período trágico" durou de 1600 a 1608, embora durante esse período ele tenha escrito também a "peça cômica" Medida por medida.  Muitos críticos acreditam que as maiores tragédias de Shakespeare representam o pico de sua arte. Seu primeiro herói, Hamlet, provavelmente é o personagem shakespeariano mais discutido do que qualquer outro, em especial pela sua frase "Ser ou não ser, eis a questão". Ao contrário do reflexivo e pensativo Hamlet, os heróis das tragédias que se seguiram, em especial Otelo e Rei Lear, são precipitados demais e mais agem do que pensam. Essas precipitações sempre acabam por destruir o herói e frequentemente aqueles que ele ama. Em Otelo, o vilão Iago acaba assassinando sua mulher inocente, por quem era apaixonado. Em Rei Lear, o velho rei comete o erro de abdicar de seus poderes, provocando cenas que levam ao assassinato de sua filha e à tortura e a cegueira do Conde de Glócester. Segundo o crítico Frank Kermode, "a peça não oferece nenhum personagem divino ou bom, e não supre da audiência qualquer tipo de alívio de sua crueldade". Em Macbeth, a mais curta e compactada tragédia shakespeariana, a incontrolável ambição de Macbeth e sua esposa, Lady Macbeth, de assassinar o rei legítimo e usurpar seu trono, até à própria culpa de ambos diante deste ato, faz com que os dois se destruam. Portanto, Hamlet seria seu personagem talvez mais admirado. Hamlet reflete antes da ação em si, é inteligente, perceptivo, observador, profundamente proprietário de uma grande sabedoria diante dos fatos. Suas últimas e grandes tragédias, Antônio e Cleópatra e Coriolano contêm algumas das melhores poesias de Shakespeare e foram consideradas as tragédias de maior êxito pelo poeta e crítico T.S. Eliot.
No seu último período, Shakespeare centrou-se na tragicomédia e no romance, completando suas três mais importantes peças dessa fase: CimbelinoConto de Inverno e A Tempestade, e também Péricles, príncipe de Tiro. Menos sombrias do que as tragédias, essas quatro peças revelam um tom mais grave da comédia que costumavam produzir na década de 1590, mas suas personagens terminavam com reconciliação e o perdão de seus erros. Certos comentadores vêem essa mudança de estilo como uma forma de visão da vida mais serena por parte de Shakespeare. Shakespeare colaborou com mais dois trabalhos, Henry VIII e Dois parentes nobres, provavelmente com John Fletcher.

Os homens do rei

O primeiro teatro londrino foi fundado em 1576. O mais famoso, porém, é o Globe, fundado em 1599, às margens do rio Tâmisa. Idealizado e construído por Shakespeare e sua companhia, The King's Men (os homens do rei), seguia os padrões do que chamamos hoje teatro elisabetano.

A disposição do palco era ideal para a ação dramática e para uma peça que se desenrolava sem interrupções, rápida e com grande número de figurantes. Havia pouco ou quase nenhum cenário, os papéis femininos eram representados por rapazes, pois na época as mulheres ainda não podiam representar. As mulheres raramente apareciam na platéia, com exceção de  prostitutas. As demais, quando iam ao teatro, usavam máscaras.

O Teatro Globe não era coberto. As apresentações só ocorriam durante o verão. Também eram suspensas quando havia algum surto de peste, o que era freqüente, de modo que, para ganhar a vida, a companhia fazia turnês pelo interior. Em algumas de suas peças, Shakespeare faz referência a isso, como em "Hamlet", quando um grupo de atores mambembes chega ao Castelo de Elsenor para uma encenação.

Sonetos em tempos de peste

Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos. Seus textos são obras de arte e permanecem vivos e atuais, retratados freqüentemente no cinema, no teatro, na televisão e na literatura.

O escritor nasceu numa cidade pequena, Stratford-on-Avon, onde começou seus estudos. Casou-se aos 18 anos com Anne Hathaway, com quem teve três filhos. No ano de 1588 foi morar em Londres e, em 1592, já fazia sucesso como ator e dramaturgo. Entretanto, eram seus sonetos e não suas peças que eram aclamados pelo público, já que de 1592 a 1594, os teatros londrinos tiveram que ser fechados por causa de um surto de peste.

Em 1594 ingressou na Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, mesmo ano em que escreveu sua primeira peça, a "Comédia dos Erros". Desde então, escreveu mais de 38 peças.

Sofrimento do herói em cena

Ainda que inspiradas pelos valores do teatro clássico, as tragédias shakespearianas têm uma diferença marcante que é a morte e/ou o sofrimento do herói em cena, aos olhos do público. Nas tragédias gregas isso jamais ocorria.

Quando Édipo, num ato de desespero, fura seus olhos com os alfinetes da roupa da mãe, ou quando Medéia mata seus filhos, é um arauto ou um outro personagem que vem a cena para narrar o episódio ao espectador.

Com as tragédias no Renascimento, especialmente em Shakespeare, a cena trágica, violenta, o sofrimento do herói é no palco, aos olhos de todos. Esse escritor tinha uma predileção por temas ligados à própria história da Inglaterra e posicionou-se apaixonadamente em relação aos problemas de poder e do destino.

Entre as tragédias escritas por Shakespeare é impossível não destacar "Romeu e Julieta", que se tornou a história de amor por excelência e "Hamlet", cuja frase "Ser ou não ser: eis a questão" é uma das mais conhecidas da língua inglesa. "Macbeth", "Rei Lear", "Otelo", "Ricardo II", "Ricardo III", "Henrique IV", "Henrique V", "Henrique VI" e "Henrique VIII" também estão entre suas tragédias mais famosas e encenadas até hoje.

Comédias: lirismo, farsa e sombras

Nas comédias escritas por Shakespeare há forte influência da "Commedia dell'Arte". Ainda assim, podem-se identificar em sua produção vários tipos de comédias, desde as mais leves e farsescas, como "A Megera Domada", às líricas, como "Sonho de Uma Noite de Verão", até as mais sombrias, como "Medida por Medida".

Outras de suas obras mais importantes nesse gênero são "Comédia dos Erros", "Muito Barulho por Nada", "A Tempestade", "Tudo Está Bem Quando Acaba Bem", "As Alegres Comadres de Windsor", "Péricles".

*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp.



OUTRA ÓTICA SOBRE A COMMEDIA DELL’ARTE

Por Robson Vieira


A COMMEDIA DELL’ARTE continua inspiradora para o teatro no mundo inteiro, entre suas principais características, destaca-se o improviso e o nomadismo, os espetáculos não dispunham de textos escritos, embora seus fossem habilmente elaborados, não estabeleciam residência em um único  lugar, viajavam pelas maias variadas cidades. Pode-se dizer que, é a COMMEDIA da habilidade, todo o processo de criação do espetáculo se dava na coletividade de produção. Mas, a maior de todas as características deste típico teatral é o uso das máscaras com seus personagens estereotipados, isso lhe rendeu varias outros nomes, inclusive o de Teatro de Máscaras, sendo que se tornou conhecida como COMMEDIA DELL’ARTE.
Não resta dúvidas que, a COMMEDIA DELL’ARTE é uma forma teatral única no mundo, que muito contribui para a construção do teatro moderno, ela desenvolveu-se na Itália por volta do século XVI, sendo difundida em toda a Europa nos séculos sucessivos, essa grande difusão é também fruto do percurso percorrido em sua forma nômade de ser.
A COMMEDIA era de origem popular, vivam o nomadismo de maneira afinco, levavam seus espetáculos de cidade em cidade, por muito tempo não dispunha de espaços para as suas apresentações, eram palcos improvisados em praças públicas, era nele onde a maioria dos espetáculos ocorriam. Somente no século XVI e de forma esporádica é que, a COMMEDIA passou a ter acesso aos teatros, onde até então em sua grande maioria eram apresentados espetáculos de cunho erudito.
No século XVIII, por conta da grande popularidade deste tipo de espetáculo, foi forçada a abertura de novos espaços para as companhias teatrais.
A não utilização de textos escritos, sempre foi maior causa dos olhares contemporâneos de uma grande maioria dos estudiosos da COMMEDIA, ainda assim, os espetáculos têm ligação direta com os seus textos ou canovacci como eram chamados, se observa a inconsistência no que se refere ao conteúdo. O canovaccio obedecia a requisitos funcionais do espetáculo: clareza, partes equivalentes para todos os atores envolvidos, ser engraçado, possibilidade de inserir lazzi, danças e canções, disponibilidade a ser modificado.
A figura do concertatore, é uma pessoa importante nos espetáculos da COMMEDIA DELL’ARTE, exercia função equivalente a do diretor teatral moderno, era o orientador/inspirador dos espetáculos.
As companhias de COMMEDIA DELL’ARTE eram geralmente formadas por um grupo de oito e por vezes doze atores/atrizes, tinha laços familiares entre se. Pai, mãe e irmãos montavam uma companhia, e utilizando de suas carroças saiam mundo afora a apresentar belíssimos espetáculos.
O ator tinha um papel fundamental, precisavam ter noções de malabarismo, canto e outros feitos, tudo isso eram exigências direcionadas continuamente aos atores, função não menos importante era o conhecimento da concepção plástica do teatro.
O uso das mascaras, eram exclusivamente para os homens e caracterizavam personagens fruto do populismo da época. As inspirações para as máscaras eram tiradas do imaginário do cotidiano comum dos atores, em sua grande maioria, eram zoomórficas aludiam animais domésticos ou domesticados, fazendo com isso crítica à real situação de vida em que vivam a grande porcentagem mais pobre da população da época. O ator tinha enorme responsabilidade em desenvolver o seu papel, com o passar do tempo, portou à uma especialização do mesmo, limitando-o a desenvolver uma só personagem e a mantê-la até a morte.
A COMMEDIA DELL’ARTE foi importante, sobretudo como reação do ator a uma era de acentuado artificialismo literário, para demonstrar que, além do texto dramático, outros fatores são significativos no teatro. Não so no teatro a COMMEDIA DELL’ARTE foi produto de inspiração, mas também na música, nas artes plásticas, foi e continua a inspirar muitos.
Existiam características marcantes em toda indrumendaria, figurinos e máscaras dos personagens da COMMEDIA, focaremos na análise dos personagens: ARLEQUINO, PUNCINELA, DOUTORE, PANTALONE e ENAMORADOS.
ARLEQUINO/ARLECCHINO – também conhecido como, é um palhaço. Um dos zanni. Acróbata, amoral, glutão. É facilmente reconhecível pela roupa branca e preta com estampa em forma de diamantes. O papel algumas vezes é substituído pelo Truffeldino, seu filho. Sua máscara possui uma testa baixa com uma verruga. Algumas vezes, usa um lenço negro sob o queixo e amarrado no alto da cabeça. Geralmente, Arlecchino é o servo do Pantalone, às vezes do Dottore. Ele ama Colombina, mas ela apenas o faz de idiota.
PUNCINELA/PULCINELLA – Muitas vezes conhecido como “Punch”. O esquisito, inspirador de pena, vulnerável e geralmente desfigurado. Na maioria das vezes, com uma corcunda. Muitas vezes, não é capaz de falar e, por isso, comunica-se através de sinais e sons estranhos Sua personalidade pode ser a de um tolo, ou de um enganador. Tem a voz estridente e sua máscara tem um nariz grande e curvo, como o bico de um papagaio.
DOUTORE/DOTTORE – O doutor. Visto como o homem intelectual, mas geralmente essa impressão é falsa. Ele é o mais velho e rico dos vecchi. Geralmente, interpretado como um pedante, avarento e sem o menor sucesso com as mulheres. Usa uma toga preta com gola branca, capuz preto apertado sob um chapéu preto com as abas largas viradas para cima.
PANTALONE/PANTALONE – Um dos vecchi. Geralmente, muito rico e muito avarento. O arquétipo do velho pão-duro. Não se preocupa com mais nada além de dinheiro. O cavanhaque branco e o manto negro sobre o casaco vermelho, possui uma filha casadoira ou é ele próprio um cortejador tardio.
ENAMORADOS/OS INNAMORATI - São os amantes. O innamorato e a innamorata têm muitos nomes. (Isabella era o nome mais popular usado para a innamorata). Eles são jovens, virtuosos e perdidamente apaixonados um pelo outro. Eles usam os trajes mais belos e de acordo com o período e a moda vingente e nunca usam máscara. Geralmente, cantam, dançam ou recitam poemas.
Fontes de Pesquisas:
Acessado em http://escoladeteatrocatarse.wordpress.com, no dia 13 de setembro de 2010;
Acessado em http://jaqueline-unbsc.blogspot.com/, no dia 13 de setembro de 2010;
Acessado em http://www.google.com.br/imagens, no dia 13 de setembro de 2010;
Acessado em http://en.wikipedia.org/wiki/Arlecchino, no dia 13 de setembro de 2010;
Acessado em http://www.dariofo.it/, no dia 13 de setembro de 2010;
Acessado em http://grupo.moitara.sites.uol.com.br/, no dia 13 de setembro de 2010.

Tema da aula
Otelo/Shakespeare


Otelo
(William Shakespeare)

A linguagem de Shakespeare, rica e criadora, contém todos os elementos anglo-saxônicos e latinos da língua inglesa, que o poeta enriqueceu com um maior número de citações, locuções e frases proverbiais do que qualquer outro autor, respeitando a versão original, mas fez algumas modificações: Shakespeare busca a comédia e o romance naturalmente, mas chega à tragédia por meio da violência e da ambivalência; atribuiu ao Mouro um caráter mais nobre e refinado, e também uma função de destaque em Veneza; aumentou a importância de Emília na trama; acentuou a malignidade de Iago; criou novos personagens e eliminou outros.
Obviamente, Shakespeare não é Lord Byron, que exibe por toda a Europa o coração sangrando; contudo, a imensa agonia que sentimos ao ver Otelo matar Desdêmona é informada não apenas por uma intensidade exterior, mas, também, interior e é justamente este fato que faz de Otelo uma tragédia do ciúme, peça de construção perfeita, onde a psicologia do Mouro ciumento e a da maldade diabólica de Iago, bem como a lógica dos acontecimentos - tradução de uma fatalidade inexorável - conduzem o espectador ao clima dos grandes modelos de tragédias gregas citadas por Aristóteles.
Bem encenada, Otelo será um trauma para a platéia, ainda que momentâneo; e desta forma o foi para Harold Bloom que afirma que a obra o apavora ainda mais do que outras peças shakesperianas, pois se trata de uma dor imponderável, desde que se conceda a Otelo a imensa dignidade e o valor que tornam a degradação do personagem algo tão terrível.
"Ó cão espartano, mais feroz do que a angústia, a fome ou o mar! Olha o fardo trágico desta cama! É trabalho teu (...)! Quanto a vós, governador incumbe o castigo deste trabalho infernal. Determinai a hora, o lugar, a tortura... É preciso que seja terrível! Quanto a mim, embarco de imediato e vou ao Senado relatar, com o coração acabrunhado esta dolorosa ocorrência!".
Shakespeare neste aspecto é um pouco mais otimista, mas Iago não conseguirá escapar do destino certo e justo.
Quanto às versões para o cinema, uma das melhores adaptações é a do diretor Oliver Parker que foi também roteirista do filme Otelo de 1995. Segue fielmente nos diálogos a poesia dramática shakespereana e coloca pela primeira vez um Otelo negro. Em outras versões, tanto para teatro como para cinema em que Orson Welles interpreta o mouro, tendo escurecido o rosto para tal, nunca se havia utilizado de uma pessoa negra, o que vem a rechaçar uma das causas de confronto da peça, que é o preconceito racial; e com grande mérito o autor Laurence Fishburne encarna perfeitamente a divindade de Otelo. Kenneth Brannagh, grande discípulo de Shakespeare da atualidade, está perfeito na interpretação do vilão Iago piscando maliciosamente para o público e mostrando todo o cinismo do personagem e dizendo:
"Quero que o Mouro me agrade, goste de mim e recompense-me por haver feito dele um astro insigne e perturbado sua paz e quietude até que ele fique louco!".
É uma versão interpretada e filmada sábia e brilhantemente. Nas próximas páginas, vamos adentrar numa análise mais literária da obra.

·         Resumo da Obra

A tragédia Otelo foi publicada pela primeira vez por volta de 1622. No entanto, sua composição é datada de 1604. Seu personagem principal, que empresta o nome à obra, é um general mouro que serve o reino de Veneza.
Toda a história gira em torno da traição e da inveja. Inicia-se com Iago, alferes de Otelo, tramando com Rodrigo uma forma de contar a Brabâncio, rico senador de Veneza, que sua filha, a gentil Desdêmona, tinha se casado com Otelo. Iago queria vingar-se do general Otelo porque ele promoveu Cássio, jovem soldado florentino e grande intermediário nas relações entre Otelo e Desdêmona, ao posto de tenente. Esse ato deixou Iago muito ofendido, uma vez que acreditava que as promoções deveriam ser obtidas "pelos velhos meios em que herdava sempre o segundo posto o primeiro" e não por amizades.
Brabâncio, que deixara a filha livre para escolher o marido que mais a agradasse, acreditava que ela escolheria, para seu cônjuge, um homem da classe senatorial ou de semelhante. Ao tomar ciência que sua filha havia fugido para se casar com o Mouro, foi à procura de Otelo para matá-lo. No momento em que se encontraram, chega um comunicado do Doge de Veneza, convocando-os para uma reunião de caráter urgente no senado.
Durante a reunião, Brabâncio, sem provas, acusou o Mouro de ter induzido Desdêmona a casar-se por meio de bruxarias. Otelo, que era general do reino de Veneza e gozava da estima e da confiança do Estado por ser leal, muito corajoso e ter atitudes nobres, fez, em sua defesa, um simples relato da sua história de amor que foi confirmado pela própria Desdêmona. Por isso, e por ser o único capaz de conduzir um exército no contra-ataque a uma esquadra turca que se dirigia à ilha de Chipre, Otelo foi inocentado e o casal seguiu para Chipre, em barcos separados, na manhã seguinte. Durante a viagem uma tempestade separou as embarcações e, devido a isso, Desdêmona chegou primeiro à ilha. Algum tempo depois, Otelo desembarca com a novidade que a guerra tinha acabado porque a esquadra turca fora destruída pela fúria das águas. No entanto, o que o Mouro não sabia é que na ilha ele enfrentaria um inimigo mais fatal que os turcos.
Em Chipre, Iago com raiva de Otelo e Cássio, começou a semear as sementes do mal, ou seja, concebeu um terrível plano de vingança que tinha como objetivo arruinar seus inimigos. Hábil e profundo conhecedor da natureza humana, Iago sabia que de todos os tormentos que afligem a alma, o ciúme é o mais intolerável. Ele sabia que Cássio, entre os amigos de Otelo, era o que mais possuía a sua confiança. Sabia também que a sua beleza e eloqüência eram qualidades que agradam as mulheres, ele era o tipo de homem capaz de despertar o ciúme de um homem de cor, como era Otelo, casado com uma jovem e bela mulher branca. Por isso, começou a realizar o seu plano.
Sob pretexto de lealdade e estima ao general, Iago induziu Cássio, responsável por manter a ordem e a paz, a se embriagar e envolver-se em uma briga com Rodrigo, durante uma festa em que os habitantes da ilha ofereceram a Otelo, que estava na companhia de sua amada. Quando o Mouro soube do acontecido, destituiu Cássio do seu posto.
Nessa mesma noite, Iago começou a jogar Cássio contra Otelo. Ele falava, dissimulando um certo repúdio a atitude do general, que a sua decisão tinha sido muito dura e que Cássio deveria pedir à Desdêmona que convencesse Otelo a devolver-lhe o posto de tenente. Cássio, abalado emocionalmente, não se deu conta do plano traçado por Iago e aceitou a sugestão.
Dando continuidade ao seu plano, Iago insinuou a Otelo que Cássio e sua esposa poderiam estar tendo um caso. Esse plano foi tão bem traçado que Otelo começou a desconfiar de Desdêmona.
Iago sabia que o Mouro havia presenteado sua mulher com um lenço de linho, o qual tinha herdado de sua mãe. Otelo acreditava que o lenço era encantado e, enquanto Desdêmona o possuísse, a felicidade do casal estaria garantida. Sabendo disso e após conseguir o lenço através de sua esposa Emília que o havia encontrado, Iago disse a Otelo que sua mulher havia presenteado o amante com ele. Otelo, antes tão equilibrado, já estava enciumado, e pergunta à esposa sobre o lenço e ela, ignorando que o lenço estava com Iago, não soube explicar o que havia acontecido que ele havia sumido. Nesse meio tempo, Iago colocou o lenço dentro do quarto de Cássio para que ele o encontrasse.
Depois, Iago fez com que Otelo se escondesse e ouvisse uma conversa sua com Cássio. Eles falaram sobre Bianca, amante de Cássio, mas como Otelo só ouviu partes da conversa, ficou com a impressão de que eles estavam falando a respeito de Desdêmona. Um pouco depois, Bianca chegou trazendo enciumada um lenço que estava no quarto de Cássio e discutiram sobre a origem do mesmo.
Vale ressaltar que o lenço era, como todo lenço feminino, fino e delicado, isso significa que quando Otelo o deu para Desdêmona, ele não a presenteou com um simples lenço, na verdade o que ele deu à ela foi tudo o que há de mais fino e delicado existente em sua pessoa. Otelo ficou fora de si ao imaginar que Desdêmona havia desprezado tudo isso dando o lenço a um outro homem.
As conseqüências disto foram terríveis: primeiro Iago, jurando lealdade ao seu general disse que para vingá-lo mataria Cássio, mas sua real intenção era matar Rodrigo e Cássio simultaneamente porque eles poderiam estragar seus planos. No entanto, isso não ocorreu conforme suas intenções, Rodrigo morreu e Cássio apenas ficou ferido. Depois Otelo, totalmente descontrolado, foi a procura de sua esposa acreditando que ela o havia traído e matou-a em seu quarto. Shakespeare faz da cena um sacrifício religioso, dotado de conteúdo contrateológico tão sombrio quanto o niilismo de Iago e o ciúme “divino” de Otelo.
Após isso Emília, esposa de Iago, sabendo que sua senhora fora assassinada revelou a Otelo, Ludovico (parente de Brabâncio) e Montano (governador de Chipre antes de Otelo) que tudo isso foi tramado por seu marido e que Desdêmona jamais fora infiel. Iago matou Emília e fugiu, mas logo foi capturado. Otelo, desesperado por saber que matara sua amada esposa injustamente, apunhalou-se, caindo sobre o corpo de sua mulher e morreu beijando a quem tanto amara.
Ao finalizar a tragédia Cássio passou a ocupar o lugar de Otelo e Iago foi entregue as autoridades para ser julgado.

1-  Análise Dos Personagens

Otelo - General mouro e nobre a serviço da República de Veneza. Segundo Harold Bloom, dentro de suas óbvias limitações, Otelo, de fato é "nobre": seu consciente antes da queda, está sob firme controle, sendo justo e absolutamente digno, dotado de perfeição inata; quando Otelo, sem dúvida, a espada mais ágil do lugar, quer separar uma briga de rua basta um comando: "Embainhai vossas armas reluzentes, para que não embacieis o orvalho...".Ainda é a representação mais tocante da vaidade e do temor masculinos com relação à sexualidade feminina e, por conseguinte, da equação masculina entre os medos da traição e da morte. O Mouro é impotente diante de Iago; tal impotência é o elemento mais angustiante da peça, à exceção, talvez da dupla fragilidade de Desdêmona, com relação ao marido e a Iago. E para Iago, ele representava tudo, porque a guerra era tudo; sem Otelo, Iago é nada, e ao guerrear contra Otelo, Iago luta contra a ontologia. Interessante notar que Shakespeare conferiu a Otelo capacidade de expressão curiosamente heterogênea, a um só tempo, singular e desarticulada, e, propositadamente, falha. O Mouro afirma ter sido guerreiro desde os sete anos de idade; mesmo supondo que a afirmação seja hiperbólica, temos de convir que Otelo tem plena consciência de que sua grandeza foi conquistada à custa de muito suor. Contudo, apesar de toda a fama, Otelo denota certa insegurança, ás vezes, manifesta em seu discurso rebuscado e barroco, satirizado por Iago como "frases empoladas de termos de militança". A dor memorável, ou a memória induzida pela dor, emana de uma ambivalência, ao mesmo tempo cognitiva e afetiva, podemos observar isto, quando, conscientemente Otelo ao se casar com Desdêmona, põe em risco a auto-imagem construída a duras penas, e tem premonições corretas do caos se o amor fracassar:
"Pobre querida! Quero ser maldito se não te amo! E no dia em que eu deixar de te amar, que o universo se converta de novo em caos!".
Desdêmona - cujo próprio nome em grego significa "desventurada", prenunciando o destino que a aguarda. É uma jovem nobre, pretendida por vários jovens das melhores famílias da República, não apenas por sua beleza, mas também por seu rico dote. Ela era "uma jovem tão tímida, de espírito tão sossegado e calmo, que corava de seus próprios anseios!". Tais características ficam explícitas na atitude de seu pai, que ao saber que ela se casou com o Mouro, atribuiu tal fato à bruxaria. Otelo fala claramente como se deu o amor entre ambos: "ela me amou pelos perigos que corri, e eu a amei pela pena que ela teve!". Desdêmona, de bom grado, deixa-se seduzir pelo romance ingênuo e arrebatador da autobiografia de Otelo que provoca nela "um mundo de suspiros". O Mouro não é apenas nobre; a saga de sua vida faz "uma menina que sempre foi meiga" (segundo Brabâncio, seu pai) "deixar-se apaixonar por alguém que, antes disso, ela não fitaria sem horror!". Desdêmona, figura do Alto Romantismo, séculos à frente de seu tempo, cede ao fascínio da conquista, se é que se pode usar o verbo "ceder" para descrever entrega tão voluntária e direta. Todo esse perfil singelo que envolve Desdêmona sofre uma brusca alteração quando ela abandona a sua família e, apesar das diferenças, vai viver ao lado de Otelo em sua vida aventurosa de militar. O fim de Desdêmona é extremamente triste: além de ter sua imagem de esposa dedicada maculada, ela é abandonada por Deus, ou seja, nos seus últimos momentos de vida, não teve sequer o consolo da religião; Shakespeare, desta forma promove imenso "pathos" ao só revelar Desdêmona em toda a sua natureza e esplendor quando temos certeza de que está condenada e como uma ópera, Shakespeare permite a ela apenas na hora da morte, desobrigar Otelo, o que seria algo incrível, não fosse ela, segundo a tocante de Alvin Kernan, "a palavra shakespereana que significa amor". Somos levados a crer que essa terá sido a mais pura das jovens, tão fiel ao próprio assassino que as últimas palavras, exemplares, são quase irônicas, diante da degradação de Otelo: "Dá lembranças minhas ao meu senhor querido... adeus...adeus!". Desdêmona é um personagem que, além de tudo o que já foi dito, nos ajuda a entender um pouco mais do próprio Otelo. Por meio dela nos é revelado os traços morais de Otelo, características essas que contrastam com seu exterior rude.
Iago - o tempo todo, a falsidade e a corrupção permanecem em segredo. A dissimulação pérfida de Iago reina entre a aparência e a realidade. Para Shakespeare, o mal é insondável e infinito e os personagens depravados invadem o palco como haviam invadido a Corte. Shakespeare assume a tragédia moral de sua época. Segundo Germaine Greer, professora de Literatura Inglesa na Universidade de Warwick, existe um elemento na tragédia de Shakespeare que ela chama de psicomaquia que é uma luta dentro da própria alma que pode ser externalizada de várias formas. Uma delas é o mal atuando sobre o protagonista. Shakespeare mostra ainda como um tipo de mal tende a manifestar-se. O personagem é onipresente. Está em todos os lugares enganando a todos ao mesmo tempo. Para Otelo ele era tudo como um honesto soldado e de bom comportamento. A posição de Iago como porta-bandeira, tendo jurado morrer antes de permitir que as cores de Otelo sejam capturadas em batalha, atesta não apenas a confiança de Otelo, mas a fidelidade de Iago no passado. Paradoxalmente, a devoção quase religiosa por Otelo, um deus da guerra, por parte do fiel Iago, pode ser inferida como causadora da preterição. Iago, conforme apontou Harold Goddard, está sempre em guerra; é um piromaníaco moral, que ateia fogo à realidade. Apesar da sensatez que, decerto, caracterizava seu tirocínio militar, Otelo enganou-se com Iago, artista tão livre de si mesmo. A catástrofe primeira da peça é o que seria chamado de "a queda de Iago", que estabelece um paradigma para a queda de Satã em Milton. O Deus de Milton, assim como Otelo, rebaixa o mais devotado dos seus servidores, e o magoado Satã rebela-se. Incapaz de derrubar o Ser Supremo, Satã derrota Adão e Eva; mas o sutil Iago vai mais longe, pois seu único Deus é o próprio Otelo, cuja queda se torna a vingança maior de Iago, arrasado pela rejeição, talvez, como conseqüência da mesma, sofrendo de uma impotência quase que sexual e de um forte sentimento de perda e fracasso, de não ser mais aquilo que fora. Sua grande bravata - "Nunca mostro quem sou!" - contradiz, propositadamente o apóstolo Paulo: "Com a graça de Deus, sou quem sou!", mas Shakespeare deixa o espectador conhecê-lo a fundo. Ele ri às escondidas de suas maldades e tem o público como seu confidente. Acena e pisca o olho para a platéia com seu olhar matreiro, querendo atrair o público com sua esperteza. Só nós os espectadores conhecemos as intenções de suas maquinações e sua importância é tanta que Shakespeare não sentiu necessidade de revisar o personagem de Iago, perfeição do mal e gênio do ódio. Não há dúvida quanto à centralidade de Iago na peça: a ele são atribuídos oito solilóquios, a Otelo apenas três. Que existe, igualmente, uma certa opacidade, não temos como negar; a tragédia de Otelo é, precisamente, o fato de Iago conhecê-lo melhor do que ele próprio se conhece; à sua maneira excepcional, foi o mais inquisidor e universal dos observadores, possivelmente, inclusive no que diz respeito ao esoterismo espiritual, ainda que sempre levado pelos propósitos de descobrir ou inventar. Iago é figura terrível porque possui habilidades fantásticas, talentos dignos de um fiel devotado cuja fé foi transformada em niilismo. Caim, rejeitado por Javé em favor de Abel, é pai de Iago, assim como Iago é o precursor do Satã de Milton. Iago mata Rodrigo e fere Cássio, mas a idéia de Iago esfaquear Otelo é tão inconcebível para o próprio Iago quanto para nós. Quando somos rejeitados por nosso deus, temos de atingi-lo espiritual ou metafisicamente, e não apenas fisicamente.
Cássio - jovem matemático florentino que "nunca comandou nenhum soldado num campo de batalha e que conhece tanto de guerra como uma fiandeira". Mesmo assim, foi escolhido por Otelo para ocupar o posto de tenente. Cássio foi o grande intermediário das relações amorosas entre Desdêmona e Otelo e, por isso, gozava da confiança do casal. Ele era amante de Bianca que vivia em Chipre. Cássio era ingênuo, não percebeu que Iago tramava a sua desgraça, deixou-se embriagar enquanto estava de guarda, envolveu-se em uma briga e, por esse motivo, foi destituído do seu posto. Isso levou-o ao desespero e transformou-o em uma verdadeira marionete nas mãos de Iago. Cássio pode ser considerado como personagem coadjuvante, uma vez que Iago se apóia em sua figura para executar seus planos.
Brabâncio - pai de Desdêmona, ocupava o cargo de senador na República de Veneza. Era um homem rico e mostrou ser totalmente contraditório: antes do casamento de sua filha com Otelo, ele foi recebido várias vezes em sua casa. Depois disso, acusou-o de feitiçaria e teve a intenção de matá-lo. No entanto, quem veio a falecer foi o próprio Brabâncio.
Emília - mulher de Iago e serviçal de Desdêmona. A princípio sua participação na peça é discreta, mas no final ganha importância. Em nome da honra de sua senhora ela enfrenta o marido, revelando a Otelo que Iago o estava enganando.

2- Tempo

Na obra Otelo existe o predomínio do tempo psicológico. Isso ocorre devido aos vários monólogos existentes na peça. Esse recurso era muito usado no teatro para revelar o que os personagens estavam pensando. A maioria dos monólogos da obra Otelo é feita por Iago que nos revela toda a interioridade de sua alma tenebrosa. Quando isso ocorre quebra a cronologia do tempo cuja passagem é marcada pela fala dos personagens e, como isso é feito de forma muito sutil, é difícil identificá-lo.
O primeiro ato dura uma noite. Entre esse ato e o seguinte existe um intervalo de cerca de uma semana, tempo que durou a viagem de Veneza a Chipre: "em companhia ele a mandou do destemido Iago, cuja vinda ultrapassa nossos cálculos de uma semana". O segundo ato era uma noite. Inicia-se quando os navios desembarcaram em Chipre e termina na noite desse mesmo dia com Iago incentivando Cássio a procurar Desdêmona para que ela intercedesse a seu favor junto a Otelo: "... logo que amanhecer, vou pedir à virtuosa Desdêmona que interceda a meu favor...".
O ato III inicia-se no dia seguinte: "Então não vos deitastes? - Oh, não! Raiou o dia quando nos separamos...". Acreditamos que esse ato dure um pouco mais de uma semana. Essa idéia é apoiada na fala de Bianca que se dá no final desse ato: "E a vossa casa eu também ia, Cássio. Uma semana ausente? Sete dias e sete noites...". Por meio dessa fala deduzimos que Cássio, quando chegou à ilha, foi visitar sua amante.
Os atos de IV e V duram um dia e uma noite. A fala de Bianca no final do ato III nos dá uma identificação de que esse ato termina durante o dia: "... acompanhai-me um pouco e declarai-me se ainda vos verei antes da noite!". Depois disso não há na obra mais indicações de que os dias se passaram, o que existe são apenas trechos que indicam que anoiteceu: "... é noite alta!" e "Desdêmona dorme, no leito. Uma candeia acesa. Entra Otelo". Com base nos dados do levantamento acima, acreditamos que o tempo interno da obra dure aproximadamente 24 dias.

3- Espaço

O espaço em Otelo não é muito relevante. O primeiro ato da obra ocorre em Veneza e os demais na ilha de Chipre. Em Veneza os espaços são a rua da casa de Brabâncio, uma outra rua não identificada e a Câmara do conselho. Em Chipre, a primeira cena ocorre perto do cais, as demais se dão em ruas não identificadas, diante e em quartos do castelo. Na obra existem espaços abertos e fechados, mas as cenas de maior tensão ocorrem em espaços fechados, como exemplo, podemos citar as mortes de Desdêmona, Otelo e Emília. O espaço também é fechado quando Iago articula seus planos malignos. Às vezes isso se dá nas ruas, espaços abertos, mas a escuridão da noite dificulta a visibilidade e esse espaço torna-se fechado. Iago é um ser tão maquiavélico que usa os espaços para executar seus planos. Ele se aproveita dos espaços fechados para induzir Cássio a envolver-se numa briga. Depois ele usa esse mesmo tipo de espaço para matar Rodrigo e ferir Cássio e ainda na cena em que Iago faz Otelo ouvir apenas parte de sua conversa com Cássio, dando-lhe a impressão que Desdêmona o havia traído.

4- Ideologia

Nessa tragédia são encontradas várias idéias muito interessantes que, em sua maioria, fazem parte do nosso cotidiano:
I.)                 Preconceito racial e religioso:
O preconceito racial se faz presente em quase toda a obra. É fácil encontrar trechos em que outros personagens zombam de Otelo por causa da sua cor.
Iago - ... Agora mesmo, neste momento, um velho bode negro está cobrindo vossa ovelha branca... / ... Quereis que vossa filha seja coberta por um cabalo berbére e que vossos netos  relinchem atrás de vós?".
O preconceito religioso é percebido nas falas de Otelo e de Rodrigo:
"... e cuja mão, tal como um vil judeu, jogou fora uma pérola mais rica que toda a sua tribo... / cão circuncidado".
A circuncisão é uma operação que retirava parte do prepúcio, pele que envolve o pênis. Esse tipo de cirurgia é feita pelo povo judeu para serem confirmados na religião. No Novo e no Velho Testamentos, sempre que é usado o termo circuncidado, faz-se referência aos judeus.
II.)              Contraste entre a realidade e as aparências:
Iago aparentava ser uma pessoa boa e digna de confiança, mas ele mostrou ser justamente o oposto, ou seja, maligno e traidor, pois o fascínio pelo poder, que vêm a ser o mesmo que o fascínio pelo mal, é inato ao ser humano. De certo modo, a arte de Shakespeare, manifestada  através da ruína de Otelo nas mãos de Iago, é por demais sutil para ser parafraseada no ato crítico. Iago insinua a infidelidade de Desdêmona, primeiramente, sem o fazer de maneira direta, apenas cercando a questão de um lado e de outro:
"Que a boa fama, para o homem, senhor, como para a mulher, é a jóia de maior valor que se possui. Quem furta a minha bolsa me desfalca de um pouco de dinheiro...".
III.)           Ciúme injustificado:
Otelo sentia ciúme de sua mulher, sem que ela nunca lhe desse motivos. Foi esse ciúme doentio que permitiu que Iago o enganasse. O grande "insight" de Shakespeare com relação ao ciúme masculino é que o mesmo se trata de uma máscara que oculta o medo de castração na morte. Os homens acham que para eles jamais haverá tempo e espaço suficientes, e encontram na questão da infidelidade feminina, real ou imaginária, um reflexo do  próprio fim, a constatação de que a vida há de continuar sem eles e Otelo se torna tão vulnerável. "Por que me casei?", ele exclama, e aponta os próprios "cornos" quando diz a Desdêmona: "Dói-me a cabeça aqui", o que a pobre esposa, inocente, atribui ao cansaço, tendo Otelo passado a noite cuidando do governador ferido.
IV.)           A união de uma mulher branca com um mouro:
Isso para a época, era uma situação pouco comum e que, se ocorresse de fato, escandalizaria a sociedade, e no pleno desempenho de suas funções, Otelo estaria imune ao charme de Desdêmona, e à franca paixão da jovem pelo mito que ele representava.
V.)              Crítica Política:
Esse tipo de crítica pode ser visto quando Brabâncio chama Iago de vilão e ele, ironizando, chama-o de senador: "Brabâncio - Sois um vilão! / Iago - E Vós... um senador!".
VI.)           Visões Oníricas (sonhos)
Observando a leitura de Jorge Luis Borges, podemos constatar a importância dos sonhos e premonições na literatura inglesa, basta observar as histórias de Chaucer que descobriu sua vocação num sonho e de Coleridge que sonhou com a construção de um poema sobre um palácio de Kubla Khan, imperador do Oriente que sonhou o palácio que desejava arquitetar; e  Shakespeare utiliza desse recurso em três momentos: o sonho angustiante de Brabâncio, as visões de Otelo a cerca de Desdêmona e a premonição de Desdêmona no leito de morte ao cantar uma canção fúnebre.

  Arte moderna europeia: a nova cara da arte.
TEMA DA AULA

Barroco na Europa

Alguns países e seus pintores

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação 
O surgimento da arte denominada "barroca" ocorreu no século 17, na Itália, provocado por uma série de mudanças econômicas, sociais e, principalmente, religiosas.

Um importante pintor barroco italiano foi Michelangelo Caravaggio (1571-1610). Em suas pinturas podemos perceber as características marcantes do barroco, que, na Itália, foi impulsionado pela reestruturação da Igreja Católica.

Da Itália, o barroco se difundiu pela Europa, manifestando-se de maneiras diferentes em cada país, mas preservando suas características básicas: a teatralidade da obra, o contraste claro-escuro, o realismo, o conflito, o forte apelo emocional, os temas míticos ou religiosos e as cenas cotidianas.

Espanha


Na Espanha, o barroco se desenvolveu principalmente na arquitetura, nos entalhes e nas decorações requintadas das construções, fossem religiosas ou não. Na pintura, teve forte influência do barroco italiano, com predomínio do realismo. O principal pintor barroco espanhol foi Diego Velázquez (1599-1660).

Reprodução
Diego Velázquez, Velha fritando ovos, 1618, óleo s/ tela

Observe no quadro Velha fritando ovos como o pintor consegue realçar as expressões faciais e a teatralidade da cena, ainda que se trate de um acontecimento banal do cotidiano. Neste caso, a expressividade é alcançada por meio de um grande domínio da representação da luz e da sombra, técnica imprescindível na pintura barroca.

Velázquez é muito conhecido por seu quadro As meninas e por pinturas retratando a realeza, pois ele era um dos pintores da corte do rei Felipe 4º, mas nunca deixou de retratar pessoas humildes.

Holanda

Durante o século 17, a Holanda passava por um grande período de desenvolvimento econômico.

Diferente da Itália e da Espanha, que eram países católicos, o protestantismo holandês trouxe algumas dificuldades para os artistas no que se refere à representação de cenas religiosas, mas não as impediu. Tais dificuldades, no entanto, acabaram por gerar belíssimos retratos, paisagens e naturezas-mortas.

Descritivo e realista, o artista holandês não se preocupava com padrões de beleza clássicos, preferindo retratar cenas do cotidiano. Dois importantes pintores do barroco holandês (também chamado barroco flamengo) foram Peter Paul Rubens (1577-1640) e Rembrandt van Rijn (1606-1669).

Reprodução
Rembrandt, A Sagrada Família, 1635, óleo s/ tela

Observe no quadro A Sagrada Família a luminosidade que é dirigida para as figuras de Maria e do Menino Jesus. Rembrandt conseguiu reproduzir em suas telas uma gradação de claridade nunca vista até então.

França

No período barroco, o poder monárquico era extremamente centralizador na França. O Absolutismo francês exerceu forte influência na arte, que deveria ser feita para o rei e os nobres, desprezando tudo que lembrasse pessoas comuns, simples ou humildes. Nicolas Poussin (1594-1665), Georges La Tour (1593-1652) e Claude le Lorrain (1605-1682) são exemplos de pintores desse período.

Ainda sobre o Barroco Europeu: imprima e cole em seu caderno as seguintes obras e o comentário.


A Boa Educação — Jean Baptista Chardin


A Boa Educação — Jean Baptista Chardin (1699-1779), coleção Wanas, Suécia.

 Esse quadro do período Rococó representa bem adequadamente o papel insubstituível da mãe como educadora, preservando a inocência dos filhos e formando-os na prática das virtude.


O Êxtase de Santa Teresa, de Bernini: pesquise, imprima e cole em seu caderno, realizando um breve comentário sobre: período, obra e artista.






Indivíduo, cultura e mudança social

A primeira etapa do PAS centrou-se na reflexão a respeito das questões relacionadas à identidade e à cultura e suas relações de reciprocidade. Ressaltou-se que símbolos, códigos, idéias, representações e valores, compartilhados, criam laços de solidariedade social e constituem identidades.
Assim, são fatores que podem contribuir para aumentar ou diminuir a resistência do indivíduo a uma mudança na estrutura social.

Por isso, na segunda etapa, inicialmente, cabe questionar: como acontecem as mudanças macro ou microssociológicas nessa estrutura? Com que métodos e com que técnicas podemos investigá-las? Então, as questões relativas aos fundamentos da estrutura social constituem o centro das reflexões. Como podemos entendê-la a partir das relações entre fatos e da utilização de teorias e esquemas explicativos, sob várias abordagens?

Pode-se indagar como as reflexões propostas por Voltaire, em Cândido, os princípios formulados por Locke em Ensaio Sobre o Entendimento Humano, colaboram para o entendimento do papel do conhecimento no processo de mudança.
Será que na obra de Voltaire, a partir do momento em que o jovem Cândido é expulso do castelo e começa a confrontar o que aprendera com a realidade não estaria se configurando um paradigma para pensar mudanças sociais, culturais e individuais?
No Ensaio Sobre o Entendimento Humano, será que John Locke não estaria rompendo a ancianidade do argumento filosófico, fundamentando, assim, a abertura para que se pensassem categorias que possibilitariam mudanças no pensamento que gerariam transformações sociais?

Qual seria o papel do indivíduo no processo de mudança social? Como ele faz a História? Em que condições? Questões dessa natureza podem ser exemplificadas na obra de Victor Hugo, Os miseráveis, como nas suas adaptações cinematográficas, nas quais, os diretores nos mostram o sofrimento estampado nos rostos de diversos personagens ao constatar que somente eles mesmos poderiam modificar a situação na qual viviam. Já na adaptação para o teatro, na versão musical, Les miserables, o libretista Alain Boublil e produtor musical Claude-Michel Schönberg, respectivamente relatam a luta de Jean Viljean para provar sua honestidade e mudança de vida. A ária IDreamed a Dream, por exemplo interpretada por Susan Boyle descreve o sofrimento da personagem Fantine que não consegue transformar sua condição social.
A partir da obra de Victor Hugo, é possível indagar: atualmente, quais as mudanças e permanências podem ser identificadas quando se comparam as situações de Jean Valjean, Fantini e Cosette com aquelas dos indivíduos retratados nos vídeos Quem são eles? (Índios no Brasil), do Ministério da Educação, Quanto vale ou é por quilo, de Sérgio Bianchi e Invasores ou excluídos, de Cesar Mendes e Dulcídio Siqueira e Universidade de Brasília.
Cabe ainda indagar: quais teriam sido os impactos da Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão (Assembléia Nacional Constituinte, França, 1789) na vida dos sans-culottes e os impactos da Constituição Federal, Capítulo II, Direitos Sociais Fundamentais Artigos do 6º ao 11º (Congresso Nacional Constituinte, Brasil, 1988), na vida dos excluídos, das minorias no Brasil.
Nessa perspectiva comparativa, nota-se que na tragédia Otelo, o mouro de Veneza, William Shakespeare relata a discriminação cultural, racial e religiosa contra o estrangeiro negro.

Já no teatro épico de Brecht, essa e outras temáticas estão contidas em sua concepção; o ser humano deve ser compreendido com base nos processos por meio dos quais existe, isto é, deve ser concebido como conjunto de relações sociais. Ele chamava suas peças de ―experimentos‖, fazendo uma analogia com as Ciências Sociais; tratava-se de ―experimentos sociológicos‖. Sua estética teatral com intuito didático tem a intenção de apresentar um ―palco científico‖ capaz de mostrar ao público a sociedade e a necessidade de transformá-la; ao mesmo tempo, de ativar o público, de nele suscitar a ação transformadora. A antropologia teatral, por meio da análise da representação cênica, mostra o comportamento do indivíduo em sociedade, fornecendo-lhe recursos para avaliação do seu vínculo com o grupo, possibilitando a ele ser protagonista de mudanças sociais, culturais e individuais. Essa prática transcende o espaço destinado à ilustração do texto escrito, numa construção cênica interativa entre atores e espectadores; torna-se um espaço privilegiado para se trabalhar a autenticidade das relações humanas.

As relações entre indivíduo, cultura e mudança social contextualizam-se na própria situação do nosso País. Assim, pode se questionar: A estrutura brasileira de classes sócio-econômicas possibilita ao indivíduo uma mobilidade vertical ou interclasses? Como ocorre a mobilidade horizontal ou intraclasses? Haveria relação entre mobilidade social e gênero, entre mobilidade social e escolaridade, entre mobilidade social e etnia, entre mobilidade social e as dinâmicas demográficas? Para ilustrar essa estrutura de classes no Brasil, as obras O Jantar de Jean-Baptiste Debret, Nu Feminino Deitado, de Rafael Frederico, 1896 e Retrato de Negro, de Luis Frederico da Silva, constituem exemplar ilustração. A música é para muitos músicos A possibilidade de formar idéias a respeito de classes, grupos e categorias nas quais se insere é pertinente, bem como a possibilidade de pensar em conceitos mais abrangentes como ser humano, humanidade. Nesse sentido, do específico ao geral, do científico ao ideológico, todas as áreas de conhecimento podem colaborar para a formação de uma autoconsciência do indivíduo sobre os processos que o determinam e suas possibilidades de autonomia pessoal e coletiva.

Nas obras Nu Feminino Deitado, de Rafael Frederico,1896, Retrato de Negro, de Luis Frederico da Silva, na série Metamorfose Cultural, de Nelson Screnci, O Torso de Adele, de Auguste Rodin, Valentina, de Vick Muniz, e nos objetos em estilo Art Nouveau, no século XIX, bem como em músicas como Billie Jean -- Michael Jackson; Dizem que fiquei americanizada, interpretada por Carmem Miranda; Subida do Morro, de Moreira da Silva, Rock das Cachorras, de Léo Jayme, interpretada por Eduardo Dusek; Você não soube me amar – música interpretada por Blitz e Quereres música de e interpretada por Caetano Veloso, encontram-se exemplos dessa construção de idéias, valores e representações de si e do outro, bem como exemplos de uma diversidade crescente.

Cabe ressaltar, também, que o indivíduo está situado em um contexto social mais amplo de transformações – religiosas, culturais, científicas, tecnológicas, artísticas e literárias – especialmente as desencadeadas a partir do século XVIII, que marcaram a sociedade brasileira e as demais sociedades ocidentais.

O contexto da Revolução Francesa no século XVIII representa um momento histórico ilustrativo de importante mudança social que se reflete na produção científica e cultural. Formas bastante utilizadas no período barroco caem em desuso. Por exemplo, o contraponto presente no Kyrie da Missa de Réquiem em Ré m (K626) Woffgan Amadeus Mozart, no Kyrie da Missa de Réquiem (CPM 185) do Pe José Maurício Nunes Garcia, e na Cantata 140: Coro 1 – Wachet auf, ruft uns die Stimme; Coro 4 Zion hort die Wächter Singen e na Ária 6 (dueto Soprano e baixo) com oboé e bx contínuo de J.S. Bach.. As orquestras tornam-se maiores, com presença efetiva do naipe de percussão, possibilitando um volume sonoro e variações dinâmicas maiores. No século XX os instrumentos típicos de orquestra, como as cordas por exemplo, dialogam com instrumentos eletro-eletrônicos, como é possível ouvir na peça Kaiowas, do grupo de rock Sepultura.

No que se refere às produções visuais do período, a observação das pinturas Sagração de Dom Pedro I, de Jean Baptiste Debret, A Liberdade Guiando o Povo, de Eugene Delacroix, O Quarto Estado, de Giovanni Volpato, 1091 Golfo de Nápoles com o Vesúvio ao fundo, de Eliseu Visconti e a série de gravuras Desastres de Guerra, do artista Francisco de Goya, levam à compreensão de que a representação (compositores, e intérpretes) uma possibilidade de mobilidade social, que em algumas situações promove a mobilidade entre classes, como é o caso do Padre José Maurício Nunes Garcia, autor do Kyrie da Missa de Réquiem de 1816 (CPM 185), conhecido como o Mozart mulato brasileiro e de cantores como Susan Boyle e Michael Jackson.

O discurso musical em si também é uma forma de expressão de crítica aos valores sociais e de classe e pode retratar estruturas sociais e políticas de diferentes épocas como ocorre com o Carnaval dos Animais de Saint Saëns nas peças Introdução, Tartarugas e Fósseis. Adereços Cerimoniais, da tribo Kayabi são exemplos importantes que revelam uma sociedade em formação, como observa-se também na música Fado Tropical, de Chico Buarque.

Questões dessa natureza podem ser analisadas partindo de índices como coeficiente de GINI e Índice de Desenvolvimento Humano – IDH. Quais seriam os fatores macrossociais que nos tornaram um dos países mais desiguais do mundo?
Como explicar a desigualdade social brasileira a partir de diferentes enfoques sociológicos: dialético, funcionalista e compreensivo? Ainda no contexto social brasileiro, deve se questionar a respeito da relação do indivíduo com as mudanças microssociológicas que afetam seu cotidiano no que se refere à vida familiar, ao casamento, à sexualidade, aos relacionamentos amorosos, à comunicação interpessoal, aos modos de interação e diversão. Essas mudanças estão ilustradas nas obras O Jantar, de Jean-Baptiste Debret, Um Tarde na Grande Jatte, de George Seurat, O Retrato, de Adele Block Bauer, de Gustav Klint e na obra Missamóvel, de Nelson Leirner.

Nos séculos XVIII, XIX e XX, podem ser observadas diversas transformações literárias. É importante que o texto literário seja entendido como manifestação dentro do contexto cultural da época, como instrumento de socialização da cultura e da construção da identidade brasileira, como um conjunto de códigos artísticos historicamente elaborados, que se referem à esfera das ligações extratextuais. Devem-se considerar os gêneros literários e a caracterização do texto literário como recriação subjetiva da realidade, o que possibilita a comparação entre texto literário e não-literário, o entendimento da plurissignificação da linguagem e a identificação de fatores de literariedade.

A leitura e análise do romance, Dom Casmurro, de Machado de Assis, é uma oportunidade de observar, além dos fatores de literariedade, as relações entre história e ficção, entre a biografia real e a romanceada e focalizar uma sociedade que vive de aparências.

Na música, a crítica aos costumes e valores da sociedade podem ser analisados a partir das músicas Subida do Morro de Moreira da Silva, interpretada por ele mesmo, Fado Tropical de Chico Buarque; Rock das Cachorras, de Léo Jayme, interpretada por Eduardo Dusek e Você não soube me amar, da Blitz, interpretada pelo próprio grupo.
Ao ampliar o contexto em foco, estão postas, também, questões relativas à pessoa do artista como agente de mudanças sociais e as suas produções culturais, como significantes dessas mudanças e suas funções nesse processo. Assim, cabe indagar: Como o artista participa dessas mudanças sociais? Como a sociedade vê a criação artística? Quais as ações e reações da sociedade diante da produção artística dos referidos séculos? O que os movimentos tecnológicos e filosóficos trouxeram para que os artistas desenvolvessem novos processos de criação? Que movimentos foram significativos para que se pudessem apreender essas mudanças?

Um dos aspectos das mudanças sociais se reflete, por exemplo, na apropriação e citação de músicas, temas musicais ou estilos musicais rearranjados ou parodiados ou trabalhados por outros grupos ou compositores. É o caso do Carnaval dos Animais de Saint Saëns nas peças Tartarugas e Fósseis e no Kyrie da missa Réquiem do Padre Jose Maurício Nunes Garcia. Qual seria o impacto do Carnaval dos Animais de Saint Saëns em sua época e na atualidade? Qual a intenção do Padre José Maurício em desenvolver o Kyrie de sua Missa Réquiem baseado no tema do Kyrie da Missa de Réquiem de Mozart? O que difere e aproxima as duas obras musicais?
No tocante às manifestações artísticas brasileiras na contemporaneidade e aos significados das produções locais, bem como suas influências em nossa sociedade, há o exemplo da sanfona, acordeon ou gaita, e seus diferentes usos na música regional brasileira. Seus agentes, compositores e intérpretes, se reconhecem e são reconhecidos, como artistas e membros de um grupo social, identificados com uma região e com uma prática musical local cuja influência tem-se espalhado.
É o caso, por exemplo, das músicas e dos músicos Feira de Mangaio de Sivuca e (NE) versão instrumental com o próprio Sivuca, Para ti Ponta Porã de Dino Rocha (Centro Oeste) interpretado pelo próprio sanfoneiro, Milongas para as missões de Gilberto Monteiro, interpretada por Renato Borguetti (Sul) e também com versão de Vítor e Léo, e Forró Classudo, de Toninho Ferragutti (Sudeste), interpretada por Toninho Ferragutti. A música desses sanfoneiros retrata a diversidade cultural brasileira, unida pelo som da sanfona, enfatizando, entre outras, a função artística e social da música.
Em relação ao contexto cultural nacional é importante analisar e comparar obras de artistas europeus e brasileiros, como as esculturas Ave Maria de Victor Brecheret, na necrópole de São Paulo- SP, O Torso de Adele, de Auguste Rodin, Êxtase de Santa Teresa, de Bernini, o túmulo Ausência, de Galileo Emendabili, na necrópole do Morumbi, SP, as estátuas de Os Doze Passos da Paixão de Cristo, de A. F. Lisboa, o Aleijadinho, as pinturas O Ângelus, de Millet e O Naufrágio, de Willian Turner.
Essas obras, em seus aspectos temáticos e estéticos, oferecem visão ampla das mudanças que as produções artísticas puderam registrar. A influência cultural européia e também norte americana é observada nas obras Kyrie da Missa de Réquiem (CPM 185) do Pe José Maurício Nunes Garcia, no Fado Tropical de Chico Buarque, no Rock das Cachorras, de Léo Jayme, Você não soube me amar, da Blitz e Kaiowas, música do Sepultura.
Especificamente, em relação ao Brasil, é pertinente analisar obras como A Parede da Memória, de Rosalina Paulino, Metamorfose Cultural, de Nelson Screnci e Adereços Cerimoniais, da tribo Kayabi, que ajudam a identificar, reconhecer e compreender a diversidade cultural, como ocorre também com as músicas Aboio, tema de Abertura do filme e do seriado Auto da Compadecida, de domínio público, Feira de Mangaio de Sivuca, Para ti Ponta Porã de Dino Rocha, Milongas para asmissões de Gilberto Monteiro, Forró Classudo de Toninho Ferragutti, Subida do Morro música de Moreira da Silva e Quereres, de Caetano Veloso.

Outra discussão importante diz respeito às questões ligadas às constantes mudanças sociais, econômicas, políticas e ambientais no mundo globalizado. No Almanaque Brasil Socioambiental 2008, a temática ambiental é trabalhada numa ótica que leva o leitor a relacionar o consumismo com uma mudança cultural, via processo de massificação, com conseqüências socioambientais. Por isso, torna-se tão urgente discutir o modelo de desenvolvimento, o padrão de consumo, a distribuição desigual de riqueza e o padrão tecnológico da sociedade.

As obras Flor do Mangue, de Franz Krajberg, 1973, Eldorado de Nelson Screnci, 2001 e a música Matança, de Xangai, são também exemplos contundentes da temática ambiental.

Assim, nesta etapa, os conceitos de indivíduo, cultura e mudança social são abordados a partir de uma perspectiva sociológica. Todavia, atribuímos a esses conceitos novos significados por meio da articulação de outras áreas do conhecimento, de seus métodos e conceitos fundamentais, em uma abordagem dialógica, interdisciplinar. 







 







Arte Barroca


Desenhos na Calçada Julian Beever

Dicas de livros, filmes, música...

  • The Cure
  • Modigliani - Paixão pela Vida - Diretor: Mick Davis
  • Blade Runner: O Caçador de Andróides
  • Nosferatu. (1922) - Bram Stoker
  • O outono do patriarca - Gabriel G. Márquez
  • Contos de fadas politicamente corretos - J. F. Garner
  • Contos de Enganar a morte - Ricardo Azevedo
  • Meu filho, minha filha - Carpinejar

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Professor de Artes da SEDF, Bonequeiro na Cia. Titeritar, artista plástico colaborador no blog: http://ateliartsaofrancisco.blogspot.com.br/ e autor dos blogs: http://universosdarte.blogspot.com.br/ e http://www.titeritar.com.br/