Estão em nosso universo

3º Ano do Ensino Médio


O que é Arte Abstrata?

André C S Masini

A arte abstrata, também chamada de "arte não-representacional" ou " não-figurativa" é a arte (pintura, escultura, gravura, arte gráfica, arte digital, ou outras técnicas) em que não há reprodução ou representação de imagens do mundo visível. Para se distinguir esse movimento de outros do mesmo período, deve-se tomar o cuidado para não confundir o mero "distanciamento das aparências" com a criação de arte sem nenhuma conexão com o mundo visível. "Distanciamento das aparências" já era uma forte tendência em muitos dos principais movimentos artísticos modernos no início do século XX: entre eles o Fauvismo, o Expressionismo o Cubismo e o Futurismo; algumas obras desses movimentos chegaram a distanciar-se de tal forma da aparência natural das coisas, que nelas essas coisas tornavam-se praticamente irreconhecíveis, porém, ainda assim, eram obras que representavam algo visível. 
Na arte abstrata, ao contrário, o artista se expressa através de formas, cores, texturas e ritmo inteiramente livres de qualquer influência de objetos da realidade. Não tenta representar a imagem de nada.

O início do movimento abstrato é geralmente atribuído a Wassily Kandinsky, que por volta de 1910 passou a pintar quadros puramente abstratos, mas houve outros artistas que adotaram esse rumo, entre eles Robert Delaunay, Kazimir Malevich e Vladimir Tatlin.

2015
É isso aí pessoas! Siga o comando e realize essa atividade prática no portfólio. Boa atividade! E o mais importante: divirta-se.

Só para informar, lembrar, acrescentar, conhecer, entender...

O que é releitura?


Assim como existem diversas interpretações de uma obra de arte, existem diversas possibilidades de releituras dessa obra. Uma boa releitura irá depender de uma boa compreensão na leitura da obra. Reler uma obra é totalmente diferente de apenas reproduzi-la, pois é preciso interpretar bem aquilo que se vê e exercitar a criatividade. Ao recriar uma obra não é necessário empregar a mesma técnica usada pelo artista na obra original. Na releitura de uma pintura podemos utilizar outras formas de expressão artística como o desenho, a escultura, a fotografia ou a colagem. O mais importante é criar algo novo que mantém um elo com a fonte que serviu de inspiração. Uma boa proposta de releitura se baseia em um conhecimento prévio do artista e da obra: a época em que ele viveu, sua biografia, artistas que admirava, outros artistas de seu tempo, o tema da obra e de outros trabalhos seus, a técnica utilizada, etc.
Atividade prática no portfólio: realize uma releitura de uma obra: cubista, expressionista, dadaísta, fauvista e surrealista.
Em tamanho A4, você poderá fazer um desenho, pintura, colagem. O mais importante é diferenciar cada obra com uma das técnicas citadas.







Aulão
Galera! Leiam com atenção!
Lembrem-se das analises musicais e releiam tudo com atenção.
Um forte abraço!
 


O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.

Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. A música brasileira pós-Bossa Nova e a definição da “qualidade musical” no País estavam cada vez mais dominadas pelas posições tradicionais ou nacionalistas de movimentos ligados à esquerda. Contra essas tendências, o grupo baiano e seus colaboradores procuram universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos da cultura jovem mundial, como o rock, a psicodelia e a guitarra elétrica.

Ao mesmo tempo, sintonizaram a eletricidade com as informações da vanguarda erudita por meio dos inovadores arranjos de maestros como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as ideias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.

“eu organizo o movimento. eu oriento o carnaval
Caetano Veloso



Utilizando da música como instrumento de engajamento político, os artistas envolvidos tinham a preocupação de denunciar conceitos-problema como autenticidade e alienação cultural. Dessa forma, inseriam conteúdo político de suas canções com o objetivo de promover a comunhão de suas perspectivas políticas. Para tanto, promoviam a gravação de discos ou a organização de shows onde buscavam trazer suas canções ao público.
A pretensão de se misturar críticas com denúncias nesse tipo de manifestação artística acabou perdendo força com o fim das liberdades democráticas. A partir de 1964, os militares chegaram ao poder buscando abafar todo tipo de manifestação que pudesse ir contra os seus interesses. Dessa maneira, resolveram instalar órgãos de controle que tinham o poder de vetar as notícias em certo veículo de comunicação ou impedir a gravação de uma determinada música em um disco.
No entanto, muitos artistas preocupados com os rumos tomados pela nação no campo político e social insistiriam em falar sobre as questões nacionais. Para tanto, utilizaram construções poéticas mais rebuscadas que pudesse, em certa medida, preservar o conteúdo político de suas canções e, ao mesmo tempo, passar despercebida pelo crivo dos censores.
Com a repressão e a censura instauradas pelo regime militar esses movimentos musicais viam na música uma forma de criticar o governo e de chamar a população para lutar contra a ditadura. Os grandes nomes desse período foram Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, entre outros. Usando na letra de suas músicas metáforas e ambiguidades, títulos como: “É Proibido Proibir”, “Que as Crianças Cantem Livres” e “Para Não Dizer que Não Falei das Flores” fizeram sucesso na época e até hoje ainda fazem.

Os festivais produzidos pela TV Record, tinham o objetivo premiar e incentivar novas composições, porém o festival era utilizado tanto por músicos, quanto pelo público, como maneira de manifestação política contra a ditadura militar.
Foram diversas as canções que falavam da maneira insana que o regime controlava e tratava a população.
O Brasil dos anos 80 marca o surgimento dos principais nomes do rock nacional, em especial as bandas nascidas em Brasília e São Paulo como Legião Urbana, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Titãs. Cada uma trazendo seu próprio estilo e suas indignações contra os problemas e a enganação da sociedade. Esse movimento se configura pelas construções poéticas anárquicas como, por exemplo, a música “Até Quando Esperar”, da Plebe Rude. 

Até Quando Esperar
Plebe Rude

Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus
Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos
Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos
Sei
Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda do divino Deus

Cidadão (Compositor: Lúcio Barbosa) 

"Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado"
Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?
"Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular
"Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
 Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"

Na música cidadão o compositor constrói 3 blocos com a mesma melodia, em que o autor narra uma história em 1ª pessoa, sendo que as últimas frases melódicas são destinadas à reflexão sobre a história contada, trazendo uma  reflexão do êxodo rural que é um dos grandes problemas sociais do país, pois muitos brasileiros saem do interior e vão para cidade, ficando muitas vezes subordinados a uma péssima condição de trabalho. O autor retrata exclusão social, como os interesses capitalistas afetam diretamente a vida de cidadãos de baixa renda deixando-os à margem da sociedade onde a falta de oportunidades como de educação e habitação é uma consequência direta da falta de ações de políticas publicas.

Cotidiano

Chico Buarque

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Chico Buarque compôs a canção: “Cotidiano” em 1971 e, como na maioria das músicas do compositor, estava num contexto de ditadura militar, o que muito ajuda a compreender as suas letras, pois quase todas têm uma pontinha de crítica, disfarçadas para escapar da censura.
No que se refere à musicalidade, nota-se claramente a regularidade dos versos, marcado por uma batida linear de três tempos, que não leva a refrões ou qualquer outra alteração sonora.
A música traz uma construção melódica, poética e rítmica que gira em torno de repetições do cotidiano de um casal e faz referencia ao sistema operário empregado no Brasil das décadas de 60 e 70. Conclui-se, então, que Chico Buarque encharcou a canção de significados, em todos os sentidos poético, musical, gramatical etc. Embora esta tenha sido apenas uma interpretação, gostaria que vocês, leitores, que observarem outras coisas ou queiram comentar o que já foi levantado, por favor, deixem um comentário que será muito bem-vindo: irá enriquecer mais ainda a discussão.
Percebemos que a música lembra muito uma rotina. As estrofes parecem todas encaixadas sobre uma mesma fôrma, inclusive com versos semelhantes, e repete várias vezes, sempre começando do início e continuando na mesma ordem. E, o mais interessante, começa de manhã, depois vai pra hora do café, depois o almoço, a volta do trabalho e a hora de dormir.

Brasil Com P

Gog

Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades parceiros
Pm's
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto, pandeiro
Pandeiro parceiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado preso
parecia piada (3x)
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado!
Pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta Periferia
Pelo presente pronunciamento pedimos punição para peixes pequenos poderosos
pesos pesados
Pedimos principalmente paixão pela pátria prostituída pelos portugueses
Prevenimos!
Posição parcial poderá provocar
protesto paralisações piquetes
pressão popular
Preocupados?
Promovemos passeatas pacificas
Palestra panfletamos
Passamos perseguições
Perigos por praças palcos
Protestávamos por que privatizaram portos pedágios
Proibido!
Policiais petulantes pressionavam
Pancadas pauladas pontapés
Pangarés pisoteando postulavam premios
Pura pilantragem !
Padres pastores promoveram procissões pedindo piedade paciência Pra população
Parábolas profecias prometiam pétalas paraíso
Predominou o predador
Paramos pensamos profundamente
Por que pobre pesa plástico papel papelão pelo pingado pela passagem pelo pão?
Por que proliferam pragas pelo pais?
Por que presidente por que?
Predominou o predador
Por que? (3x)

Essa música, possui estrutura poética onde a letra falada, por meio de rimas, constrói uma linha melódica acompanhada por uma marcação rítmica, produzida através de equipamentos musicais eletrônicos e acústicos.







Atenção galera!  Não se esqueçam... Realizar registro, após leitura, anotar tudo inclusive dúvidas ou entendimento sobre o assunto abordado.
 AULA DA SEMANA DE 07 A 10/05/2012

Realismo Socialista  


A designação diz respeito ao estilo artístico aprovado pelo regime comunista da ex-URSS, por ocasião do 1º Congresso de Escritores Soviéticos, em 1934, do qual participa o escritor Maxime Gorki (1868 - 1936). Elaborado por Andrej Zdanov, braço direito de Stalin (1879 - 1953) na área cultural, o realismo socialista converte-se, entre 1930 e 1950, em arte oficial que referenda a linha ideológica do Partido Comunista. Teatro, literatura e artes visuais deveriam ter um compromisso primeiro com a educação e formação das massas para o socialismo em construção no país. Uma arte "proletária e progressista", empenhada politicamente, envolvida com os temas nacionais e com as questões do povo russo, esta é a aspiração da tendência artística. Na definição de Aleksandr Gerasimov (1881 - 1963), o estilo é "realista na forma" e "socialista no conteúdo", quer dizer, a obra de arte deve ser acessível ao povo - figurativa e descritiva - e sua mensagem, um instrumento de propaganda do regime. Desenhos, telas e cartazes publicitários mostram proletários, camponeses, soldados, líderes e heróis nacionais, freqüentemente idealizados, seja pela exaltação de corpos vigorosos (indicando força e saúde), seja pela celebração de movimentos sociais e feitos políticos (Celebrando a Colheita, 1951, de Alla Zaimai e Retrato de Stalin, 1949, de Aleksander Ivanovich). Trata-se de louvar a nova sociedade, pela representação de jovens saudáveis e felizes, em atividades de trabalho ou em cenas populares. Na arquitetura, os princípios do realismo socialista começam a se fazer visíveis no final da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), quando têm lugar os planos de reconstrução das cidades russas. Projetos - nacionalistas na forma e de conteúdo socialista - se evidenciam em construções como o Palácio dos Soviets, concluído no fim da guerra e que ganha, a partir de 1947, sete torres monumentais. Em 1955, o Congresso do Partido Comunista delibera que as práticas arquitetônicas dos anos anteriores sejam banidas - porque "distorções da herança cultural russa" - e que um plano de construções racional oriente o crescimento físico das cidades, o que origina uma série de edifícios residenciais e comerciais padronizados.

O realismo socialista aparentemente filia-se ao realismo como doutrina estética, que triunfa em solo francês, a partir de 1850, com a pintura de Gustave Courbet (1819 - 1877), cujo compromisso é com o enfrentamento direto do mundo. Vincula-se também a uma tradição mais claramente naturalista, que pensa a arte como documentação da realidade. Um realismo de feitio mais claramente "social" se encontra esboçado já na produção de Courbet - a representação de trabalhadores e camponeses -, e ganha expressão em obras de diversos artistas dos séculos XIX e XX, por exemplo, nos trabalhos de Jean-François Millet (1814 - 1875), voltados para o universo rural e para a vida rústica, e nos de Honoré Daumier (1808 - 1879), verdadeiros comentários da situação social e política. Nada mais distante da vocação crítica exercitada por essa tradição realista do que o realismo acadêmico e partidário dos realistas socialistas. Em solo russo, a produção artística das primeiras décadas do século XX notabiliza-se pelo forte compromisso social - acentuado pela Revolução de 1917 e pela adesão dos artistas a uma arte nova, a serviço da revolução e da vida do povo -, o que não significa descarte das pesquisas formais. Tanto o construtivismo quanto o suprematismo procuram articular inovação formal e engajamento, de modo a superar dilemas do tipo esteticismo ou participação, forma ou conteúdo.

A defesa oficial de uma estética "realista" e "socialista" a partir de 1930 representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal levadas a cabo pelos construtivistas russos. Em 1922, Antoine Pevsner (1886 - 1962) e Naum Gabo (1890 - 1977) deixam a URSS. Kazimir Malevich (1878 - 1935) permanece no país, tentando defender um espaço contra as restrições impostas pelo Estado soviético aos artistas.
É flagrante a unanimidade da crítica sobre a pouca importância estética dos trabalhos produzidos sobre a égide do realismo socialista. Do movimento, poucos nomes são lembrados nas histórias e dicionários de arte (Juri Ivanovic, Yury Pimenov (1903 - 1977), Alexander Deineka (1899 - 1969), Nikolai Paulguk); quando o são, poucas são as referências às vidas e obras desses artistas. O realismo socialista teve impacto sobre os países do leste Europeu que gravitavam em torno da antiga URSS, mais ou menos na mesma época.









 Aula da semana de 02 à 04/05/2012

Construtivismo
Definição
Para o construtivismo, a pintura e a escultura são pensadas como construções - e não como representações -, guardando proximidade com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda russa e a um artigo do crítico N. Punin, de 1913, sobre os relevos tridimensionais de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885 - 1953). A consideração das especificidades do construtivismo russo não deve apagar os elos com outros movimentos de caráter construtivo na arte, que ocorrem no primeiro decênio do século XX, por exemplo, o grupo de artistas expressionistas reunidos em torno de Wasilli Kandinsky (1866 - 1914) no Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul], em 1911, na Alemanha; o De Stijl [O Estilo], criado em 1917, que agrupa Piet Mondrian (1872 - 1944), Theo van Doesburg (1883 - 1931) e outros artistas holandeses ao redor das pesquisas abstratas; e o suprematismo, fundado em 1915 por Kazimir Malevich (1878 - 1935), também na Rússia. Isso sem esquecer os pressupostos construtivos que se fazem presentes, de diferentes modos, no cubismo, no dadaísmo e no futurismo italiano.
A ideologia revolucionária e libertária que impregna as vanguardas em geral, adquire feições concretas na Rússia, diante da revolução de 1917. A nova sociedade projetada no contexto revolucionário mobiliza os artistas em torno de uma arte nova, que se coloca a serviço da revolução e de produções concretas para a vida do povo. Afinal, a produção artística deveria ser funcional e informativa. Realizações dessa proposta podem ser encontradas nos projetos de Aleksandr Aleksandrovic Vesnin (1883 - 1959) para o Palácio do Trabalho e para o jornal Pravda e, sobretudo, no Monumento à Terceira Internacional, de Tatlin, exposto em 1920, mas nunca executado - seria erguido no centro de Moscou. De ferro e vidro, a gigantesca espiral giraria sobre si mesma, concebida para ser também uma antena de transmissão radiofônica, é descrita pelo artista como "união de formas puramente plásticas (pintura, escultura e arquitetura) para um propósito utilitário".
A obra de Alexander Rodchenko (1891 - 1956) é outro exemplo de atualização do programa construtivista e produtivista russo. Das pesquisas iniciais, em estreito diálogo com as pinturas abstratas e geométricas de Malevich, o artista passa às construções tridimensionais por influência de Tatlin, encontrando posteriormente na fotografia um meio privilegiado de expressão e registro pictórico da nova Rússia. Sua perspectiva fotográfica original influencia de perto o cinema de Sergei Eisenstein (1898 - 1948).
As discussões sobre a função social da arte provocam fraturas no interior do construtivismo russo. Os irmãos Antoine Pevsner (1886 - 1962) e Naum Gabo (1890 - 1977), signatários do Manifesto Realista de 1920, recusam um programa social e aplicado da arte - lembrando as críticas de Gabo ao monumento de Tatlin - em defesa de uma morfologia geométrica em consonância com a teoria suprematista de Malevich. Suas pesquisas inclinam-se na direção da arte abstrata, do diálogo cerrado entre arte e ciência e do uso de materiais industriais, como o vidro e o plástico. Em 1922, quando o regime soviético começa a manifestar seu desagrado com a pauta construtivista, Pevsner e Gabo deixam a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS. Na década seguinte, a defesa oficial de uma estética "realista" e "socialista" representa o golpe último nas pesquisas de tipo formal dos construtivistas. O exílio dos artistas contribui para a disseminação dos ideais estéticos da vanguarda russa que vão impactar a Bauhaus na Alemanha, o De Stijl, nos Países Baixos, e o grupo Abstraction-Création, na França. Gabo será um dos editores do manifesto construtivista inglês Circle, de 1937.
Não são pequenas as influências do construtivismo na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Marcas da vanguarda russa podem ser observadas no movimento concreto de São Paulo, Grupo Ruptura, e no Rio de Janeiro, Grupo Frente. A ruptura neoconcreta estabelecida com o manifesto de 1959 - que reúne Amilcar de Castro (1920 - 2002), Ferreira Gullar (1930), Franz Weissmann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Lygia Pape (1927 - 2004), Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanudis (1915) - não afasta as influências do construtivismo russo, sobretudo na vertente inaugurada por Pevsner.




Aula da semana de  23 à 27/04/2012
 Tema do período: Arte do século XX: manifestações artísticas, reflexões sócio-históricas, antropológicas, ideológicas e filosóficas
 Arte soviética: Construtivismo, Suprematismo e Realismo Sovietico




Para começar pesquisa e imprima e cole em seu caderno/portfolio as seguintes imagens: Composição em Branco 8, de Kandinsky, e tela uma tela suprematista de Malevich.

BRIGADAS VERMELHAS

No começo dos anos 30, Kasimir Malevich retratou-se com os trajes e a pose altiva de um mestre renascentista. Àquela altura, o pintor ucraniano já havia inscrito seu nome na história da arte, como um dos pais do abstracionismo moderno. Mas o ar de nobreza que exibia na tela não passava de amarga autoironia. Desde a instauração do comunismo na Rússia, em 1917, Malevich caíra em desgraça. Como sua obra era malvista pelos ideólogos bolcheviques, ele foi preso, torturado e morreu miserável, dois anos depois de executar o autorretrato. Sua trajetória sintetiza o paradoxo da avant-garde russa. Entre o fim do século XIX e os primeiros anos do totalitarismo soviético, esses artistas lançaram-se à tarefa de destruir a pintura tradicional e, em seu lugar, fundar uma arte que espelhasse a utopia comunista. Esta não demorou a se revelar um pesadelo – e os transgressores foram esmagados pelo monstro que ajudaram a embalar.
A Rússia daqueles tempos era um terreno propício às experimentações radicais. Havia agitação social e política. E, fartos da atrasada pintura acadêmica do país, jovens artistas abraçaram os ideais incendiários do modernismo com avidez. As obras de Wassily Kandinsky ilustram bem a ruptura: elas vão do impressionismo convencional de início de carreira à explosão de cores do abstracionismo que o consagraria. Provocava choque também o primitivismo do pintor Mikhail Larionov e de sua companheira, Goncharova. Ao preconizar uma arte feita de aço e concreto, o construtivismo de artistas como Tatlin e Rodchenko não era menos explosivo. Mas o maior radical foi Malevich. Em 1913, ele aboliu a figuração em favor de uma pintura com cores e formas geométricas puras – estilo que batizou de suprematismo.
A princípio, os vanguardistas se empolgaram com os comunistas. Kandinsky, Malevich e Marc Chagall que chegaram a assumir cargos estatais. A lua de mel, porém, durou pouco. Em 1932, o ditador Josef Stalin proscreveu as vanguardas e instituiu um estilo de arte oficial, o realismo socialista. Num cenário dominado por pintores medíocres e bajuladores, Kandinsky e Chagall partiram para o exílio. Foram sortudos. Quem ficou teve de se enquadrar, ou arcar com as consequências. Construtivistas como Rodchenko (queridinho dos concretistas brasileiros) emprestaram seu talento à criação de cartazes de propaganda do regime. Acusado de "subjetivismo", Malevich foi obrigado a abandonar o abstracionismo. No fim de carreira, pintou retratos de camponeses, os quais, ainda assim, não se confundem com o realismo socialista. Seus camponeses são autômatos sem rosto em meio a paisagens estéreis – uma crítica velada às coletivizações forçadas. Suas obras, bem como quase todas da mostra, permaneceram trancafiadas nos porões do Museu de São Petersburgo por décadas. Só com a perestroika, no fim dos anos 80, foram resgatadas do limbo.

 

 

 

 

 

A PEÇA : O REI DA VELA



O Rei da Vela é um dos principais textos dramatúrgicos do escritor Oswald de Andrade, ícone do Movimento Modernista, desencadeado em 1922 na cidade de São Paulo. Ela foi criada pelo autor em 1933 e lançada apenas em 1937. Levada aos palcos, esta peça é encenada em 3 atos.
Foram necessários 30 anos para que O Rei da Vela fosse finalmente representado em terras paulistas. A façanha coube ao Grupo Oficina, sob a batuta do diretor José Celso Martinez Correa. Com certeza sua passagem pelos palcos foi um marco na história do teatro brasileiro.
Nesta história satírica, os eternos amantes medievais, Abelardo e Heloísa, são retomados para compor um irônico painel da hipocrisia burguesa e dos vícios da classe rural decadente. Abelardo I é sarcasticamente conhecido como o ‘Rei da Vela’ por ser produtor e comerciante de velas.
Ele é um símbolo dos arrivistas sociais que se aproveitam de crises, como a da Bolsa de Valores de Nova Iorque, de 1929, quando os produtores de café perderam tudo, para ascender na hierarquia socialmente imposta. Especulador, o novo empresário explora a pobreza alheia e as crendices do povo. Através deste personagem bizarro, o autor revela a crescente entrada do capital exterior no Brasil. Não poderia ser mais clara a alegoria: os devedores trancados em jaulas.
Ela é a representante da classe rural em queda livre. Seu sobrenome, Lesbos, indica suas inclinações homossexuais. O pai, antigo fazendeiro, viu sua fortuna desaparecer, num contexto marcado por atos de depravação. A moça se casa por conveniência, mas o marido tem plena consciência disso e também tira lucros desta falsa união, que representa a junção de duas classes permeadas pela cobiça capitalista.
Para retratar este ambiente socialmente hipócrita, a peça mescla revista, circo, ópera e farsa. Na mão de cada morto, a vela simboliza o abuso da boa-fé popular e a conquista da fortuna pelo protagonista, que futuramente conhecerá a ruína e a morte, não sem antes garantir a preservação do sistema, o qual parece estar fadado a sobreviver eternamente.
Renato Borghi em "O Rei da Vela", de Zé Celso e Noilton Nunes.
Oswald critica sem trégua as interações que nascem do ventre do Capitalismo, o qual a tudo corrompe e destrói. Não faltam também, na história, as figuras do intelectual, encarnado pelo personagem Pinote, que mantém uma dúbia relação com o poder, e do capitalista americano, Mr. Jones, que submete o reino ao seu domínio.
A versão do Teatro Oficina conta com os tropicalistas Rogério Duprat e Damiano Cozzela, maestros, e Caetano Veloso, cantor e compositor, na trilha musical do espetáculo, protagonizado por Renato Borghi, Fernando Peixoto, Ítala Nandi, Francisco Martins, Liana Duval, Edgar Gurgel Aranha, Etty Fraser, entre outros.

Modernização do Teatro
Geração TBC - Teatro Brasileiro de Comédia
 
Em 1948 o industrial italiano Franco Zampari funda, em São Paulo, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), marco na história do teatro brasileiro. A posição de preponderância que ocupa deve-se à incorporação de novos talentos: Nídia Lícia, Paulo Autran, Cacilda Becker , Sérgio Cardoso, e à importação dos diretores italianos Luciano Salce e Adolfo Celli, que ajudam a formar os brasileiros Flávio Rangel e Antunes Filho. Com o sucesso em São Paulo, o TBC abre uma filial no Rio.
As companhias de Eva Todor, Maria Della Costa, Dulcina e Odilon, Procópio e Bibi Ferreira são contratadas para excursionar em Portugal e suas colônias. Os problemas criados por uma estrutura grande e onerosa, a morte de Franco Zampari e cisões entre os membros do elenco fazem com que, ao longo da década de 50, o TBC se desmembre nos grupos de: Tônia Carreiro, Paulo Autran e Margarida Rey, dirigido por Adolfo Celli; de Cacilda, o marido Walmor Chagas e a irmã Cleyde Yáconis, dirigido por Ziembinski; o Teatro dos Sete, de Fernanda Montenegro, Italo Rossi e Sérgio Brito; e o de Sérgio Cardoso e Nídia Lícia. 

Contribuição Estrangeira

Na década de 40 alguns atores do Leste europeu refugiam-se no Brasil. Entre eles, estão o ucraniano Eugênio Kusnet, ator e professor que vai ter importância crucial na primeira fase do Teatro Oficina ao introduzir com todo o rigor o método Stanislavski; e o polonês Zbigniew Ziembinski , que, com o cenógrafo Gustavo Santa Rosa, funda Os Comediantes, com os quais monta Pirandello, Eugene O'Neill e Arthur Miller.
O trabalho de Ziembinski em ''Vestido de noiva'', de Nelson Rodrigues, encenada em 1943, transforma o papel do diretor de teatro no Brasil. Até então não se conhecia a figura do diretor como responsável pela linha estética do espetáculo, ele era apenas um ensaiador. 

Revolução na Dramaturgia

O pioneiro da moderna dramaturgia brasileira é Nelson Rodrigues, que constrói uma obra coerente e original, expondo o inconsciente da classe média com seus ciúmes, loucuras, incestos e adultérios.
Nelson Rodrigues (1912-1980) nasce no Recife e ainda criança muda-se para o Rio de Janeiro. Filho de um jornalista, começa aos 13 anos a trabalhar como repórter no jornal do pai. Resolve escrever para teatro para aumentar sua renda. Sua primeira peça encenada é ''Mulher sem pecado'', em 1942. Mas o marco da moderna dramaturgia brasileira é ''Vestido de Noiva'' - texto fragmentário e ousado sobre as lembranças e delírios de uma mulher que agoniza durante uma cirurgia.

Teatro Brasileiro - 2ª Parte
Escolas de Teatro

Em 1938, Pascoal Carlos Magno cria, no Rio de Janeiro, o Teatro do Estudante, primeiro grupo sério de teatro amador. Como ''Hamle''t, é lançado Sérgio Cardoso, que, mais tarde, será a primeira estrela do palco a tornar-se um popular ator de telenovelas.
Em 1948, Alfredo Mesquita funda em São Paulo a Escola de Arte Dramática (EAD).
Ainda em 1948, com ''O casaco encantado'', Lúcia Benedetti lança as bases do teatro infantil interpretado por adultos; sua seguidora mais importante é Maria Clara Machado ''Pluft, o fantasminha'', ''O rapto das cebolinhas'', que, na década de 50, cria o Tablado, importante centro de formação de atores ainda em atividade. 

Serviço Nacional de Teatro

Fundado no fim dos anos 40, patrocina a criação de grupos experimentais e a montagem de novos textos brasileiros, como ''A raposa e as uvas'', de Guilherme de Figueiredo, aclamado no exterior.
Novos representantes do teatro de costumes são Pedro Bloch ''As mãos de Eurídice'' e o humorista Millôr Fernandes ''Do tamanho de um defunto''.  

Preocupação com a Temática Social no Teatro

Na década de 50 os textos teatrais são marcados pela preocupação com as questões sociais. ''O Pagador de promessas'', de Dias Gomes - também autor de telenovelas -, se transforma num grande sucesso e é adaptada para o cinema em 1962 por Anselmo Duarte. O filme ganha a Palma de Ouro em Cannes.
Nelson Rodrigues, que firmara sua reputação com ''O anjo negro'', ''Álbum de família'' e ''A falecida'', desperta polêmica com ''Perdoa-me por me traíres'', ''Beijo no asfalto'', ''Bonitinha mas ordinária'', consideradas escandalosas.
Jorge Andrade retrata a decadência da aristocracia rural paulista em ''A moratória'' e a ascensão das classes novas em ''Os ossos do barão''.
Fora do eixo Rio-São Paulo, Ariano Suassuna, nas comédias folclóricas ''O auto da Compadecida'' e ''O santo e a porca'', cruza o modelo renascentista das peças de Gil Vicente com a temática folclórica nordestina.
Jorge Andrade (1922-1984) nasce em Barretos, interior de São Paulo. Começa a carreira de dramaturgo, incentivado pela atriz Cacilda Becker. Na década de 50 escreve peças dramáticas e nos anos 60 estréia as comédias ''A escada'' e ''Os osso do barão'', ambas transformadas em novelas de televisão. Para a TV escreve também as novelas ''O grito'' e ''As gaivotas''. Ao lado de Nelson Rodrigues, é o dono da obra teatral mais significativa do Brasil: nela se destacam denúncias do fanatismo e da intolerância, como ''Veredas da salvação'' ou o delicado testemunho autobiográfico de ''Rasto atrás''.  

A Contestação no Teatro

A partir do final dos anos 50, a orientação do TBC, de dar prioridade a textos estrangeiros e importar encenadores europeus, é acusada de ser culturalmente colonizada por uma nova geração de atores e diretores que prefere textos nacionais e montagens simples. Cresce a preocupação social, e diversos grupos encaram o teatro como ferramenta política capaz de contribuir para mudanças na realidade brasileira.
O Teatro de Arena, que com seu palco circular aumenta a intimidade entre a platéia e os atores, encena novos dramaturgos - Augusto Boal ''Marido magro, mulher chata'', Gianfrancesco Guarnieri ''Eles não usam black-tie'', Oduvaldo Vianna Filho ''Chapetuba Futebol Clube'' - e faz musicais como ''Arena conta Zumbi'', que projeta Paulo José e Dina Sfat.
Trabalho semelhante é o de José Celso Martinez Correa no Grupo Oficina, também de São Paulo: além de montar ''Os pequenos burgueses'', de Gorki, ''Galileu, Galilei'', de Brecht, e ''Andorra'', de Max Frisch, redescobre ''O rei da vela'', escrito em 1934 por Oswald de Andrade, mas proibido pelo Estado Novo; e cria ''Roda viva'', do músico Chico Buarque de Holanda.
Chico havia feito a trilha sonora para ''Vida e morte severina'', auto nordestino de Natal, de João Cabral de Melo Neto, montado pelo Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) e premiado no Festival Internacional de Teatro de Nancy, na França.
Os passos do Arena, de conotações nitidamente políticas, são seguidos pelo Grupo Opinião, do Rio de Janeiro. Seu maior sucesso é ''Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come'', de Oduvaldo Vianna Filho.
No final da década de 60, novo impulso à dramaturgia realista é dado por Plínio Marcos em ''Dois perdidos numa noite suja'' e ''Navalha na carne''. Outros autores importantes são Bráulio Pedroso ''O fardão'' e Lauro César Muniz ''O santo milagroso''.
Gianfrancesco Guarnieri (1934- ) nasce em Milão. Participa da criação do Teatro de Arena. ''Eles não usam black-tie'' - história de uma família de operários durante uma greve e suas diferentes posições políticas - é um marco do teatro de temática social. Junto com Augusto Boal monta ''Arena conta Zumbi'', onde são usadas técnicas do teatro brechtiano. Entre suas peças destacam-se também ''Um grito parado no ar'' e ''Ponto de partida''. Trabalha como ator de cinema (Eles não usam black-tie, Gaijin) e de novelas.
Plinio Marcos (1935- ) nasce em Santos, filho de um bancário. Abandona cedo a escola. Trabalha em diversas profissões - é operário, camelô, jogador de futebol, ator. Em 1967 explode com ''Dois perdidos numa noite suja'' e ''Navalha na carne'', peças que retratam a vida dos marginais da sociedade. Sua temática realista e linguagem agressiva chocam parte do público e fazem com que suas peças sejam freqüentemente censuradas. Após dez anos sem publicar, lança ''A dança final'' em 1994. Vive da venda direta de seus livros e da leitura de tarô.
Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) nasce em São Paulo. Filho do dramaturgo Oduvaldo Vianna, torna-se conhecido como Vianinha. É um dos fundadores do Teatro de Arena e do Grupo Opinião. Suas peças ''Chapetuba F.C.'', ''Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come'', ''Longa noite de cristal'', ''Papa Highirte'' e ''Rasga coração ''o transformam num dos mais importantes dramaturgos brasileiros. ''Rasga coração'', síntese do teatro brasileiro de seu tempo, fica censurada por cinco anos durante o regime militar e só é montada em 1979, após sua morte.  

Censura

Na década de 70 a censura imposta pelo governo militar chega ao auge. Os autores são obrigados a encontrar uma linguagem que drible os censores e seja acessível ao espectador.
Nessa fase, surge toda uma geração de jovens dramaturgos cuja obra vai consolidar-se ao longo das décadas de 70 e 80:
  • Mário Prata (Bésame mucho),
  • Fauzi Arap (O amor do não),
  • Antônio Bivar (Cordélia Brasil),
  • Leilah Assunção (Fala baixo senão eu grito),
  • Consuelo de Castro (Caminho de volta),
  • Isabel Câmara (As moças),
  • José Vicente (O assalto),
  • Carlos Queiroz Telles (Frei Caneca),
  • Roberto Athayde (Apareceu a margarida),
  • Maria Adelaide Amaral (De braços abertos),
  • João Ribeiro Chaves Neto (Patética),
  • Flávio Márcio (Réveillon),
  • Naum Alves de Souza (No Natal a gente vem te buscar).
Marcam época também as montagens feitas, em São Paulo, pelo argentino Victor García: ''Cemitério de automóveis'', de Fernando Arrabal, e ''O balcão'', de Jean Genet - nesta última, ele chega a demolir internamente o Teatro Ruth Escobar para construir o cenário, uma imensa espiral metálica ao longo da qual se sentam os espectadores. 

Novas Propostas

A partir do final da década de 70, aparecem grupos de criação coletiva, irreverentemente inovadores.
  • ''Trate-me leão'', do Asdrúbal Trouxe o Trombone, aborda o inconformismo e a falta de perspectivas da adolescência e revela a atriz Regina Casé.
  • ''Salada paulista'', do Pod Minoga também calca seu humor nos problemas do cotidiano.
  • Já ''Na carreira do divino'', de Alberto Soffredini, baseia-se numa pesquisa do grupo Pessoal do Vítor sobre a desestruturação do mundo caipira.
  • Antunes Filho é aplaudido por sua adaptação de ''Macunaíma'', de Mário de Andrade, e Nelson Rodrigues, ''O eterno retorno''.
  • Luiz Alberto de Abreu ''Bella ciao'', Flávio de Souza ''Fica comigo esta noite'' e Alcides Nogueira ''Lua de Cetim'' e ''Opera Joyce'' destacam-se entre os autores.
  • O Ornitorrinco, de Cacá Rosset e Luís Roberto Galizia, inaugura, com ''Os párias'', de Strindberg, e um recital das canções de Kurt Weil e Brecht, uma fórmula underground original.
  • Os espetáculos posteriores de Rosset, o ''Ubu'', de Alfred Jarry, o polêmico ''Teledeum'', do catalão Albert Boadella, ''Sonhos de uma noite de verão'' e ''Comédia dos erros'', de Shakespeare, são comercialmente bem-sucedidos.
Antunes Filho (1929- ) começa a trabalhar com teatro dirigindo um grupo de estudantes. Na década de 50 trabalha como assistente de direção no TBC. No final dos anos 70 rompe com o teatro mais comercial em sua montagem de Macunaíma, de Mário de Andrade, um dos marcos do teatro brasileiro. Com Nelson Rodrigues, o eterno retorno, montagem que engloba as peças Toda nudez será castigada, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e Álbum de família, traz à tona a discussão sobre a obra de Nelson Rodrigues. No Centro de Pesquisas Teatrais, pesquisa um modo brasileiro de fazer teatro.
Tendências atuais Marcada pela pluralidade de concepção teatral.
O trabalho dos diretores torna-se mais conhecido do que o dos autores. 

Novos Autores

Em São Paulo destacam-se:
  • Otávio Frias Filho (Típico romântico, Rancor),
  • Noemi Marinho (Fulaninha e Dona Coisa, Almanaque Brasil).
  • Marcos Caruso e Jandira Martini fazem sucesso com Porca Miséria.
No Rio de Janeiro surge o besteirol, que começa com humor e irreverência e avança para um texto mais crítico. Os mais conhecidos dramaturgos dessa linha são:
  • Miguel Falabella (A partilha, Como encher um biquíni selvagem, No coração do Brasil) e
  • Mauro Rasi (Batalha de arroz num ringue para dois, Viagem a Forlí). 
Novos Diretores 

Controvérsia cerca as montagens de Gerald Thomas : Carmen com filtro, Electra e a trilogia de adaptações de Kafka. Entre os cariocas destacam-se Moacyr Góes, com A escola de bufões, e Enrique Díaz, que, aos 22 anos, surpreende com A Bao a Qu, baseado em Jorge Luís Borges. O paulista Ulysses Cruz, com o grupo Boi Voador, monta Velhos marinheiros e Típico romântico. Também desponta o talento do mineiro Gabriel Villela, que faz teatro de rua com o Grupo Galpão, de Belo Horizonte (Romeu e Julieta) e assina as montagens de A vida é sonho, de Calderón de la Barca, e A guerra santa, além de uma excelente A Falecida, de Nelson Rodrigues. Bia Lessa (Cartas portuguesas, Orlando) cria soluções cenográficas originais e faz uma leitura extremamente pessoal de textos clássicos. A cada dia, novos nomes brilham no cenário teatral brasileiro. Os nomes que apresentamos aqui são apenas alguns entre os muitos outros que atuam por este imenso Brasil.


Teatro de Arena 



Data/Local
1953/1972 - São Paulo SP

Histórico

Fundado nos anos 1950, torna-se o mais ativo disseminador da dramaturgia nacional que domina os palcos nos anos 1960, aglutinando expressivo contingente de artistas comprometidos com o teatro político e social.
A primeira referência brasileira a um teatro em forma de arena surge numa comunicação de Décio de Almeida Prado, professor da Escola de Arte Dramática - EAD, em conjunto com seus alunos Geraldo Mateus e José Renato no 1º Congresso Brasileiro de Teatro, realizado no Rio de Janeiro em 1951, destacando o possível barateamento da produção teatral. No mesmo ano, essas idéias são postas em prática na montagem de José Renato, para O Demorado Adeus, de Tennessee Williams, ainda no âmbito da EAD.
A fundação da companhia Teatro de Arena ocorre em 1953, com a estréia, nos salões do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, de Esta Noite É Nossa, de Stafford Dickens. Integram o grupo, entre outros, José Renato, Geraldo Mateus, Henrique Becker, Sergio Britto, Renata Blaunstein e Monah Delacy.
Ainda em 1953, produz-se um repertório, que inclui O Demorado Adeus, de Tennessee Williams, e Uma Mulher e Três Palhaços, de Marcel Achard, ambas sob direção de José Renato; além de Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, com direção de Sergio Britto, em 1954. As apresentações ocorrem em clubes, fábricas e salões. No final do ano é apresentada à imprensa a sala, situada na Rua Teodoro Baima, onde será instalado o Teatro de Arena.
Até 1956, o Arena experimenta diferentes gêneros de textos, visando compor um repertório e encontrar uma estética própria. Novo patamar é alcançado com a fusão realizada com o Teatro Paulista dos Estudantes, TPE, e a contratação de Augusto Boal para ministrar aulas sobre as idéias de Stanislavski ao elenco e encenar Ratos e Homens, de John Steinbeck. Entre os recém- chegados estão Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Milton Gonçalves, Vera Gertel, Flávio Migliaccio, Floramy Pinheiro, Riva Nimitz. A presença de Augusto Boal, que havia cursado dramaturgia em Nova York e conhecia os escritos de Stanislavski pela via do Actor's Studio, conduz o grupo a um posicionamento político de esquerda. Em 1957, Juno e o Pavão, de Sean O'Casey trata da luta do IRA, na Irlanda.
À beira da dissolução devido a uma crise financeira e ideológica, o grupo é salvo pelo sucesso de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção de José Renato, em 1958. Vislumbrando uma fértil possibilidade aberta pelos textos nacionais, que colocam em cena os problemas que a platéia quer ver retratados no palco, o Arena resolve criar um Seminário de Dramaturgia e laboratórios de interpretação. Novos textos demandam um novo estilo de interpretação, mais próximo dos padrões brasileiros e populares.
Entre 1958 e 1960, o Arena leva à cena diversos originais escritos pelos integrantes da companhia, num expressivo movimento de nacionalização do palco, difusão dos textos e politização da discussão da realidade nacional. Figuram, entre outros, Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, direção de Boal, 1959; Gente Como a Gente, de Roberto Freire , 1959, e Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, 1960, ambos dirigidos novamente por Boal; Revolução na América do Sul, de Boal, direção de José Renato, 1960; O Testamento do Cangaceiro, de Francisco de Assis, mais uma direção de Boal, 1961.
Na excursão carioca de Eles Não Usam Black-Tie, Oduvaldo Vianna Filho e Milton Gonçalves, desligam-se do Arena e em 1961, participam da criação do Centro Popular de Cultura - CPC, iniciativa de base estudantil e destinada à agitação política, ligado à União Nacional dos Estudantes, UNE.
José Renato parte para um estágio na França, no Théâtre National Populaire, companhia de Jean Vilar. Ao retornar ao Brasil, procura por em prática a noção de teatro popular, debruçando-se sobre clássicos da dramaturgia com o objetivo de, a partir de enfoques renovados, descobrir um teatro vivo e participativo. Essa fase, conhecida como de nacionalização dos clássicos, registra encenações de grande acuidade artística, fortemente influenciadas por Bertolt Brecht. Entre outras, são montadas Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, direção de José Renato, e A Mandrágora, de Maquiavel, dirigida por Boal, ambas de 1962. Nesse período, um colaborador constante é Flávio Império, com notáveis criações de figurinos e cenários.
Nomes como Paulo José, Dina Sfat, Joana Fomm, Juca de Oliveira, João José Pompeo, Lima Duarte, Myrian Muniz, Isabel Ribeiro, Dina Lisboa, Renato Consorte, entre outros, integram o elenco estável.
José Renato sai do Arena em 1962, mudando-se para o Rio de Janeiro, para dirigir o Teatro Nacional de Comédia - TNC, onde trabalha para reorganizar essa companhia estatal, nos moldes do Théâtre National Populaire - TNP. O Arena, a partir de então, tem entre seus sócios Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Em 1964 está em cartaz O Tartufo, de Molière. A nova realidade que se configura a partir do golpe militar faz a companhia reorientar os planos, assim como repensar o repertório. É preciso algo novo, para responder à nova situação e driblar a censura, que proíbe a representação de peças brasileiras realistas que faziam parte do repertorio da companhia.
A solução vem com a criação de Arena Conta Zumbi, de Boal e Guarnieri, que, estreando em 1965, marca o surgimento de um novo procedimento cênico-interpretativo, denominado sistema coringa. O tema escolhido é grandioso: a saga dos quilombolas no Brasil Colônia, momento de aguda resistência dos escravos ao domínio português. Fala de uma revolução e mostra como é possível construir uma outra realidade, mais justa e igualitária. Com o Coringa, todos os atores fazem todos os papéis, alternando-os entre si, prescindindo de um aprofundamento psicológico nas interpretações. A ligação entre os fatos, a narração dos episódios obscuros ficam por conta de um Coringa, elo entre a ficção e a platéia. O espetáculo torna-se um sucesso estrondoso - dois anos em cartaz. As canções de Edu Lobo, gravadas por diversos intérpretes, invadem rádios e TV, popularizando-se.
A experiência repete-se em Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, em 1967. Novo sucesso, centrado sobre a Inconfidência Mineira, elevando Tiradentes à condição de mártir da luta contra a opressão. Este teatro que exorta à revolução política choca-se com a proposta do Teatro Oficina, que, no mesmo ano, está em cartaz com a encenação carnavalesca e antropofágica de O Rei da Vela.
A situação política do país complica-se com a instauração do AI-5. O grupo novamente tem de reposicionar-se. Augusto Boal organiza e monta Primeira Feira Paulista de Opinião, em 1968, no Teatro Ruth Escobar; e também MacBird, sátira de Barbara Garson sobre a Guerra do Vietnã e o assassinato de Kennedy. São produções pobres, feitas às pressas, para responder ao cada vez mais convulsionado momento político.
O palco do Arena é ocupado por duas experiências frustradas: O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, que não vai além da estréia; e La Moschetta, sátira renascentista de Angelo Beolco, que nem mesmo a interpretação de Gianfrancesco Guarnieri salva do malogro. Em 1969, tenta uma alternativa com A Resistível Ascensão de Arturo Ui, novo apelo a Bertolt Brecht. Mas o uso do Sistema Coringa, a dispersão de forças de Augusto Boal dividido entre muitos compromissos, e o clima político concorrem para um resultado frio, que não prende a atenção do público. Gianfrancesco Guarnieri desliga-se do Arena.
Uma saída momentânea para a crise é a remontagem de Zumbi, para percorrer um circuito internacional, no ano de 1970, juntamente com Arena Conta Bolivar, proibida no Brasil. Utilizando parte de um elenco jovem, Augusto Boal monta, em 1971, o Teatro Jornal - 1ª Edição, de onde nasce, no futuro, o Núcleo Independente. Nessa montagem, surge uma nova frente estética voltada para a mobilização popular. Com a leitura de jornais diários, o elenco improvisa notícias e apresenta diversas angulações do problema flagrado, oferecendo-se para ensinar o público. Essa é a gênese do Teatro do Oprimido.
Augusto Boal é detido em 1971, em meio a novos ensaios de Arena Conta Bolivar, e em seguida parte para o exílio. O Arena passa às mãos do administrador Luiz Carlos Arutin e do Núcleo, grupo remanescente do espetáculo Teatro Jornal. Doce América, Latino América, criação coletiva, com direção de Antônio Pedro, é apresentada até o fechamento do teatro, em 1972.
Segundo o crítico Sábato Magaldi, "O Teatro de Arena de São Paulo evoca, de imediato, o abrasileiramento do nosso palco, pela imposição do autor nacional. Os Comediantes e o Teatro Brasileiro de Comédia, responsáveis pela renovação estética dos procedimentos cênicos, na década de quarenta, pautaram-se basicamente por modelos europeus. Depois de adotar, durante as primeiras temporadas, política semelhante à do TBC, o Arena definiu a sua especificidade, em 1958, a partir do lançamento de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. A sede do Arena tornou-se, então, a casa do autor brasileiro.
O êxito da tomada de posição transformou o Arena em reduto inovador, que aos poucos tirou do TBC, e das empresas que lhe herdaram os princípios, a hegemonia da atividade dramática. De uma espécie de TBC pobre, ou econômico, o grupo evoluiu, para converter-se em porta-voz das aspirações vanguardistas de fins dos anos cinqüenta."1
A histórica sala é comprada pelo Serviço Nacional de Teatro, SNT, em 1977, impedindo assim a dissipação da memória de uma das equipes de maior relevância na cena brasileira. Com o nome de Teatro Experimental Eugênio Kusnet, ela abriga, desde então, elencos de pesquisa da linguagem teatral.


Nota
1 MAGALDI, Sábato. Um palco brasileiro. In: ______. Um palco brasileiro: o Arena de São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1984. p.7-8.




Não se esqueçam de passear pela ABA AULAS, pois, o conteúdo também foi postado lá..



Pessoas é chegada a hora de nossa ultima avaliação do 2º período, para isso contamos com o blog para tirarmos nossas duvidas e relembrar tudo o que discutimos em sala de aula, pesquise sobre os seguintes tópicos e com certeza você se sairá bem nesta avaliação padrão, importante é pesquisar para relembrar e refletir sobre o assunto! Vamos nessa?

Dadaísmo: pesquise conceito, características e obras do artista Duchamp.
Pop Art: conceito, características, não se esqueça de dar uma espiada em obras de: Andy Warhol e Roy Lichtenstein.
Suprematismo  e Construtivismo: conceito e características.
Modernismo brasileiro: Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Anita Malfati são os artistas para se estudar, bem como o conceito e características desde movimento.
Pra finalizar dê uma passeada pelo blog e pesquise sobre o seguinte tópico: Intervenção Urbana e Instalação Plástica e depois, é só correr pra curtir suas merecidas férias!!!!!

Lembre-se que praticamente todos os assuntos estão postados no blog, dê uma olhada em CONTEÚDOS E DIVIRTA-SE!




Revisão: Arte Moderna Brasileira, Construtivismo e Suprematismo.

Quando falamos de Arte Moderna Brasileira não podemos deixar de citar a primeira grande artista brasileira a transgredir os limites da arte clássica em nosso país,seus retratos receberam uma forte influencia da estética expressionista, com cores complementares e emocionais, essa influencia deve-se a sua viagem à Alemanha, país do grande grupo expressionista "Die Brucke". Anita irá pintar obras que vão compor um legado que vai transformar a arte brasileira.














Feita durante sua estada nos Estados Unidos, A Boba é um dos pontos mais altos da pintura de Anita. É fruto de uma fase em que a sua pintura expressionista absorve elementos cubo-futuristas. A Boba faz parte de um momento de "busca ativa", a tela é construída com a cor, numa orquestração de laranjas, amarelos, azuis e verdes, realçando as zonas cromáticas delineadas pelas linhas negras, na maioria diagonais - ordenação cubista. No primeiro plano, uma angulosa e assimétrica figura recebe aplicação irregular da cor. Na fisionomia, a expressão anormal e vaga é ressaltada por traços negros, segundo a estética expressionista do irracional e desarmônico. O fundo, elaborado com rápidas pinceladas, serve de contraponto.

Blog de acvieira :AC VIEIRA - ESCULTURAS, PINTURAS E GRAVURAS., Tarsila do Amaral 'Abaporu - 1928' - OST. 
Tarsila do Amaral um dos icones da arte moderna brasileira integrou o movimento cultural que, a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, desdenhou dos valores artisticos e literarios do passado, como o barroco do século XVIII, e assumui posição política de apoio à Republica Oligárquica.
A obra acima de Tarsila do Amaral "Abaporu" relaciona-se à fase Pau Brasil.
Arte Russa: Suprematismo e Construtivismo 

A primeira parte puramente russa do século XX foi, o Suprematismo. Em um dos maiores saltos da imaginação espacial e simbólica da história da arte, Kasimir Malevich inventou o Quadrilátero Preto, como uma imagem tão despojadamente simples deveria ser tão importante? Ao reduzir a arte a um minimo de elementos possiveis - uma única forma repetida em dois tons e firmemente fixada à superfície dod quadro, ele enfatizou a pintura como pintura ainda mais radicalmente como seus predecessores.




Quadrado preto sobre fundo branco
Kasimir Malevich
De acordo com Malevich, o Suprematismo era também filosofico de cores construido no tempo e no espaço. Seu espaço era intuitivo, no qual se insinuam tanto tons científicos quanto misticos.
É conveniente lembrar que o Cubismo Facetado, côncavo e convexo eram postulados como equivalentes; todos os volumes, quer positivos, quer negativos, eram "bolsões de espaço". Os construtivistas, um grupo de artistas russos liderados por Vladimir Tatlin, aplicaram esse principio à escultura e chegaram àquilo que se poderia chamar de colagem tridimensional. 
Pode-se afirmar que O Suprematismo e O Construtivismo estavam intimamente ligados, no entanto, uma diferença fundamental separava-os. Para Tatlin, a arte não era a comtemplação espiritual dos suprematistas, mas um processo ativo de formação que se baseava no material e na tecnica. No final o Construtivismo ultrapassou o Suprematismo por ser mais adequado ao espírito pós-revolucionário da Rússia, quando grandes feitos, e não grandes idéias, se faziam necessários. 

Vanguarda Russa - Rodchenko


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Esta é, provavelmente, uma faceta menos conhecida de Aleksandr Rodchenko - o design. Mas o que é fato é que o artista russo era uma personagem multifacetada que se sentia tão à vontade na pintura como na escultura, no design ou na fotografia, que o notabilizou. Os seus trabalhos publicitários e comerciais são surpreendentes não só pelo insólito de serem feitos por um artista "revolucionário" como pela inovação gráfica que trouxeram.
É bom não esquecer que, no início da revolução russa, a arte moderna ali encontrou condições privilegiadas para florescer ao abrigo dos ideais de criação de um Novo Mundo enquanto não foi sacrificada no altar do Realismo Socialista. Da Rússia veio Kandinsky, Chagall, Soutine, o Suprematismo; veio a base para toda a abstração geométrica; sem as vanguardas russas talvez não existisse Mondrian nem a Bauhaus...
Se fizermos uma pequena pesquisa na Internet sobre o artista poderemos verificar que a maioria das entradas dizem respeito precisamente à sua obra publicitária. Curiosamente ainda, muitas delas foram concebidas em parceria com o malogrado poeta Vladimir Mayakovsky, parceria tão inusitada como revolucionária...
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POP ART: um mundo de cores



O QUE É?
A Pop art (ou Arte pop) é um movimento artístico surgido na década de 1950 no Reino Unido e nos Estados Unidos. Nas décadas de 60 e 70 ocorre o ápice do movimento, cuja figura de maior destaque foi o americano Andy Warhol. O termo foi cunhado em 1956 pelo crítico britânico Laurence Alloway.
QUAL A META?
A Pop art propunha que se admitisse a crise da arte que assolava o século XX e pretendia demonstrar com suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Procurava a estética das massas, tentando achar a definição do que seria a cultura pop, aproximando-se do que costuma chamar de kitsch ( termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente).

Diz-se que a Pop art é o marco de passagem da modernidade para a pós-modernidade na cultura ocidental.

'Marilyn Monroe' de Andy Warhol
CARACTERÍSTICAS
Em meados da década de 60 os artistas defenderam uma arte moderna, irreal, que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massas e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística adversa ao hermetismo da arte moderna. Nesse sentido, a Pop Art se coloca na cena artística como um dos movimentos que recusa a separação arte/vida. Com o objetivo da crítica irônica ao bombardeamento da sociedade capitalista pelos objetos de consumo da época, ela operava com signos estéticos de cores inusitadas massificados pela publicidade e pelo consumo, usando como materiais principais: gesso, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, fluorescentes, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, como de uma escala de cinquenta para um, transformando o real em hiper-real.


A POP ART NO REINO UNIDO

Just what is it that makes today's homes so different, so appealing?
O Independent Group (IG), fundada em Londres em 1952, é reconhecido como o precursor do movimento de Pop art. O grupo, formado entre outros pelos artistas Laurence Alloway, Alison e Peter Smithson, Richard Hamilton, Eduardo Paolozzi e Reyner Banham utilizava os novos meios de produção gráfica que culminavam durante as décadas de 1950 e 60, com o objetivo de produzir arte que atingisse as grandes massas. O Independent Group se dissolveu formalmente em 1956 depois de organizar a exibição "This Is Tomorrow" em Londres, na galeria de arte Whitechapel Gallery. Nesta exibição, o artista inglês Richard Hamilton apresentou a colagem "Just what is it that makes today's homes so different, so appealing?" (em português: O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?), considerada por críticos e historiadores um das primeiras obras de Pop art.

A POP ART NOS ESTADOS UNIDOS


Ao contrário do que sucedeu no Reino UNido, nos Estados Unidos os artistas trabalham isoladamente até 1963, quando duas exposições (Arte 1963: novo vocabulário, Arts Council, Filadélfia e Os novos realistas, Sidney Janis Gallery, Nova York) reúnem obras que se beneficiam do material publicitário e da mídia. É nesse momento que os nomes de Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselmann surgem como os principais representantes da Pop art em solo norte-americano. Sem estilo comum, programas ou manifestos, os trabalhos desses artistas se afinam pelas temáticas abordadas, pelo desenho simplificado e pelas cores saturadas. A nova atenção concedida aos objetos comuns e à vida cotidiana encontra seus precursores na antiarte dos dadaístas.

Os artistas norte-americanos tomam ainda como referência uma certa tradição figurativa local - as colagens tridimensionais de Robert Rauschenberg e as imagens planas e emblemáticas de Jasper Johns - que abre a arte para a utilização de imagens e objetos inscritos no cotidiano. 


PRINCIPAIS ARTISTAS



Robert Rauschenberg (1925). Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas "combinadas", com garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados.

Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular. 


Andy Warhol (1927-1987). Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro.


Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.

Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.

ATUALIDADE
Hoje existe vários programas de computador que transformam fotos normais em pop art. Na verdade é apenas um padrão usado por aqueles artistas que faziam tudo à mão mesmo. Mas é legal brincar de ser artista, afinal de contas, basta apenas ter criatividade.

Fonte: olhosgrandeseabertos.blogspot.com
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Professor de Artes da SEDF, Bonequeiro na Cia. Titeritar, artista plástico colaborador no blog: http://ateliartsaofrancisco.blogspot.com.br/ e autor dos blogs: http://universosdarte.blogspot.com.br/ e http://www.titeritar.com.br/